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Frente à ofensiva do Império, solidariedade ao Povo Venezuelano!
|29/12/2025|
Como Coordenação Anarquista Latino-Americana e organizações irmãs, repudiamos as ameaças de intervenção direta do governo dos Estados Unidos na Venezuela, impulsionadas pela administração Trump.
Estas tentativas e ameaças de intervenção não são fatos isolados, nem uma resposta temporária a supostos problemas de “segurança”, “narcotráfico” ou “terrorismo”. Pelo contrário, fazem parte de uma longa história de ingerência imperialista na América Latina e no Caribe, cujos efeitos recaem sistematicamente sobre os povos e classes oprimidas da região.
A história é conhecida: sempre que os Estados Unidos invocaram esses pretextos, o resultado foi devastação social, perda de soberania e violência. O Panamá em 1989, o Iraque em 2003 e inúmeras intervenções em nossa região demonstram que não se trata de “defender a democracia”, mas sim de controle político, militar e econômico. No caso venezuelano, essas ameaças se somam a mais de uma década de bloqueio econômico que impactou severamente o cotidiano da população, aprofundando a escassez, a precariedade e a deterioração das condições materiais de vida.
Nesse sentido, é crucial enfatizar que as agressões imperialistas não punem as elites dominantes, mas recaem diretamente sobre os setores populares. O bloqueio, as sanções, a intimidação militar e o estrangulamento financeiro não são ferramentas “cirúrgicas”: são mecanismos de guerra econômica que buscam quebrar a resistência de um povo inteiro, discipliná-lo e forçá-lo a aceitar uma ordem subordinada.
Um exemplo recente e contundente dessa lógica é o flagrante ato de pirataria e roubo de um petroleiro venezuelano por militares armados dos EUA, que foi apreendido e apropriado sob o pretexto de sanções unilaterais. Além dos tecnicismos jurídicos com que Washington tenta justificar essas ações, o que fica evidente é um exercício de pirataria moderna: o uso do poder militar, judicial e financeiro para apropriar-se de recursos. Isso não é apenas um ataque ao Estado venezuelano, mas uma agressão direta contra o povo, porque cada carga apreendida, cada bem retido e cada propriedade confiscada agrava as condições de vida impostas pelo bloqueio.
Além disso, o desprezo pela vida das pessoas fica evidente na absoluta facilidade com que lançaram explosivos contra barcos de pesca na costa venezuelana, privando essas pessoas não apenas de seus meios de subsistência, mas também de suas vidas e do direito de se defenderem de acusações não comprovadas. O massacre foi televisionado e comemorado pelos de cima.
Essas ações revelam com clareza o que significa hoje a “ordem internacional” defendida pelos Estados Unidos: um sistema no qual as potências arrogam para si o direito de decidir quem pode comercializar, quem pode produzir e quem merece ser punido. O direito internacional é seletivo: flexível para aliados e brutalmente rígido para aquelas que não se subordinam. Dentro dessa estrutura, a pilhagem de barcos, o congelamento de ativos e as sanções econômicas funcionam como armas de guerra, ainda que sejam apresentadas como medidas administrativas.
A recente atribuição do Prêmio Nobel da Paz a María Corina Machado enquadra-se perfeitamente nessa mesma lógica de cinismo e duplo padrão. Esse tipo de premiação não expressa valores universais, mas sim alinhamentos geopolíticos. Longe de representar uma defesa genuína dos direitos do povo venezuelano, esse reconhecimento serve como um gesto político do poder imperial em relação a uma líder que endossou abertamente as sanções, o bloqueio econômico e as ameaças de intervenção. A direita venezuelana, longe de oferecer uma saída para a classe trabalhadora, apresenta-se, assim, como sócia necessária em uma estratégia que aprofunda o sofrimento social e a dependência.
O reaparecimento explícito da Doutrina Monroe em documentos e declarações recentes do governo estadunidense apenas confirma essa tendência. O antigo slogan “América para os americanos” – isto é, para os interesses de Washington – volta a ser reivindicado sem eufemismos, reinstaurando a ideia da América Latina como uma zona natural de dominação. Isso não só ameaça a Venezuela, mas todos os povos do continente, ao legitimar intervenções, pressão econômica, golpes de Estado e o alinhamento forçado de governos que se desviam dos interesses imperialistas. Como exemplo primordial, vimos nos últimos meses uma intervenção sem precedentes do governo Trump na Argentina, especificamente na política econômica interna, no mercado cambial e até mesmo no processo eleitoral, dando um forte apoio ao governo de Milei.
No contexto atual, os Estados Unidos não são mais uma superpotência inconteste, mas continuam sendo um ator central em uma ordem mundial baseada na violência, na pilhagem e na imposição. Sua crescente agressividade também reflete suas próprias crises internas e sua necessidade de reafirmar o controle sobre territórios estratégicos, ricos em petróleo, minerais, água e biodiversidade. A América Latina, mais uma vez, surge como espólio de guerra e retaguarda de um projeto imperial que permanece profundamente perigoso.
Defender a autodeterminação dos povos – classes dominadas, exploradas e oprimidas dentro dos chamados contextos “nacionais” – não implica idealizar governos ou negar as contradições internas inerentes ao processo venezuelano, que criticamos. Significa, antes, rejeitar categoricamente a intervenção estrangeira e afirmar o direito de toda classe dominada, explorada e oprimida de lutar pela melhoria de seu destino sem ameaças, bloqueios ou ocupações. Nesse sentido, afirmamos que a organização diante dessa situação não pode vir de cima nem ser delegada a estruturas estatais, mas só pode ser construída de baixo para cima, por meio da organização popular e da participação direta daquelas que sustentam a vida cotidiana em condições de exploração.
O caso do barco saqueado, assim como o bloqueio econômico em geral, demonstra que o imperialismo não busca “corrigir” governos, mas sim subjugar populações inteiras por meio da fome, do isolamento e da punição coletiva.
Na Venezuela, assim como no restante da América Latina, mesmo em meio às dificuldades causadas pela burocratização, pelas limitações e pelas tensões com o Estado que tendem a enfraquecer a organização das de baixo, as comunas, os espaços territoriais e as formas de organização popular sustentam, dia após dia, a resistência material e social contra o bloqueio, a escassez e a agressão imperialista.
Nossa luta vai além das fronteiras impostas pelos Estados e nos une ao conjunto das classes oprimidas. O governo imperialista do norte adotou uma postura xenófoba, racista e persecutória em relação às comunidades migrantes dentro de seu território. O ataque à Venezuela está ideologicamente fundamentado no racismo inerente ao Estado estadunidense – assim como a todos os outros Estados – e que irradia tanto interna quanto externamente, servindo aos interesses das classes dominantes do país.
Diante dessa ofensiva, como anarquistas, denunciamos o governo dos EUA e afirmamos que a solução não virá de Estados mais fortes ou de disputas entre potências, tampouco das chamadas organizações internacionais criadas por e para os Estados, mas da construção de um povo forte, organizado de baixo para cima, com independência política e capacidade real de disputar poder.
A história da América Latina demonstra que cada avanço do imperialismo encontrou resistência, mesmo em condições adversas. Isso sustenta a dignidade e a capacidade de resposta coletiva; é a base material do poder popular construído pelas de baixo.
Porque não existe neutralidade possível diante do imperialismo. Ou se está ao lado da dominação, da pilhagem e da guerra, ou se está ao lado das oprimidas.
Nossa aposta é de longo prazo, mas nítida: fortalecer a organização popular, aprofundar a resistência e construir, desde a base, um horizonte emancipatório para as classes oprimidas do mundo.
O imperialismo não passará!
Viva as que lutam!
Coordenação Anarquista Latino-Americana – CALA
. fAu – federación Anarquista uruguaya (Uruguay)
. FAR – Federación Anarquista de Rosario (Argentina)
. CAB – Coordenação Anarquista Brasileira (Brasil)
. FAS – Federación Anarquista Santiago (Chile)
Organizações irmãs:
. OAC – Organización Anarquista de Córdoba (Argentina)
. ORA – Organización Resistencia Anarquista (Argentina)
. OAT – Organización Anarquista de Tucumán (Argentina)
. OASC – Organización Anarquista de Santa Cruz (Argentina)
. La Tordo Negro – Organización Anarquista Entrerriana (Argentina)
. Impulso Anarquista – Organización Anarquista de Neuquén (Argentina)
. BRRN – Black Rose/Rosa Negra Anarchist Federation (EUA)
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ESPAÑOL:
Denunciamos la ofensiva imperial
Desde la Coordinación Anarquista Latinoamericana y organizaciones hermanas repudiamos las amenazas de intervención directa del gobierno de Estados Unidos sobre Venezuela, impulsadas por la administración Trump.
Estos intentos y amenazas de intervención no son hechos aislados ni son una respuesta coyuntural a supuestos problemas de “seguridad”, “narcotráfico” o “terrorismo”. Se inscriben, por el contrario, en una larga historia de injerencia imperial en América Latina y el Caribe, cuyos efectos han recaído sistemáticamente sobre los pueblos y las clases oprimidas de la región.
La historia es conocida: cada vez que Estados Unidos ha invocado estos pretextos, el resultado ha sido devastación social, pérdida de soberanía y violencia. Panamá en 1989, Irak en 2003 y múltiples intervenciones en nuestra región muestran que no se trata de “defensa de la democracia”, sino de control político, militar y económico. En el caso venezolano, estas amenazas se suman a más de una década de bloqueo económico que ha golpeado duramente la vida cotidiana del pueblo, profundizando la escasez, la precarización y el deterioro de las condiciones materiales de existencia.
En este sentido, es central remarcar que las agresiones imperialistas no castigan a las élites gobernantes, sino que recaen directamente sobre los sectores populares. El bloqueo, las sanciones, la intimidación militar y la asfixia financiera no son herramientas “quirúrgicas”: son mecanismos de guerra económica que buscan quebrar la resistencia de un pueblo entero, disciplinarlo y forzarlo a aceptar un orden subordinado.
Un ejemplo reciente y contundente de esta lógica es el acto de piratería y robo descarado a un barco petrolero venezolano por parte de militares armados de EEUU, que fue retenido y apropiado bajo el amparo de sanciones unilaterales. Más allá de los tecnicismos legales con los que Washington intenta justificar estas acciones, lo que queda en evidencia es un ejercicio de piratería moderna: la utilización del poder militar, judicial y financiero para apropiarse de los recursos. No se trata solo de un ataque al Estado venezolano, sino de una agresión directa al pueblo, porque cada cargamento incautado, cada bien retenido y cada activo confiscado profundiza las condiciones de vida impuestas por el bloqueo.
Es más, su desinterés con las vidas del pueblo queda evidente en la absoluta facilidad con que lanzaron explosivos a barcos pesqueros en la costa venezolana, quitando no solo la forma de sobrevivir de aquella gente, sino también sus vidas y su derecho a defenderse de acusaciones no comprobadas. La masacre fue televisada y celebrada por los de arriba.
Este tipo de acciones revelan con claridad qué significa hoy el “orden internacional” que defiende Estados Unidos: un sistema en el que las potencias se arrogan el derecho de decidir quién puede comerciar, quién puede producir y quién merece ser castigado. La legalidad internacional es selectiva, flexible para los aliados y brutalmente rígida para quienes no se subordinan. En ese marco, el saqueo de barcos, el congelamiento de activos y las sanciones económicas funcionan como armas de guerra, aunque se presenten como medidas administrativas.
En esa misma lógica de cinismo y doble vara se inscribe el reciente otorgamiento del Premio Nobel de la Paz a María Corina Machado. Este tipo de premios no expresa valores universales, sino alineamientos geopolíticos. Lejos de representar una defensa genuina de los derechos del pueblo venezolano, este reconocimiento opera como un gesto político del poder imperial hacia una dirigente que ha avalado abiertamente las sanciones, el bloqueo económico y las amenazas de intervención. La derecha venezolana, lejos de ofrecer una salida para las clases populares, se presenta así como socia necesaria de una estrategia que profundiza el sufrimiento social y la dependencia.
La reaparición explícita de la Doctrina Monroe en documentos y declaraciones recientes del gobierno estadounidense no hace más que confirmar este rumbo. La vieja consigna de “América para los americanos” – es decir, para los intereses de Washington – vuelve a ser reivindicada sin eufemismos, reinstalando la idea de América Latina como zona natural de dominio. Esto no solo amenaza a Venezuela, sino al conjunto de los pueblos del continente, al legitimar intervenciones, presiones económicas, golpes de Estado y el alineamiento forzado de los gobiernos que se aparten de los intereses imperiales. Como fiel ejemplo de ello hemos visto en los últimos meses una intervención sin precedentes del Gobierno de Trump en Argentina, puntualmente en la política económica doméstica, el mercado cambiario y hasta en el proceso electoral dando un brusco espaldarazo al Gobierno de Milei.
En el contexto actual, Estados Unidos ya no es una potencia incontestada, pero sigue siendo un actor central de un orden mundial basado en la violencia, el saqueo y la imposición. Su agresividad creciente expresa también sus propias crisis internas y su necesidad de reafirmar su control sobre territorios estratégicos ricos en petróleo, minerales, agua y biodiversidad. América Latina, una vez más, aparece como botín y retaguardia de un proyecto imperial que sigue siendo profundamente peligroso.
Defender la autodeterminación de los pueblos – clases dominadas, explotadas, y oprimidas dentro de los llamados contextos “nacionales” – no implica idealizar gobiernos ni negar contradicciones internas propias del proceso venezolano del que somos críticos, sino rechazar de plano la intervención extranjera y afirmar el derecho de cada clase dominada, explotada y oprimida a luchar por el mejoramiento de su destino sin amenazas, bloqueos ni ocupaciones. En ese sentido afirmamos que la organización frente a esta situación no puede venir de arriba ni ser delegada en estructuras estatales, sino que solo puede construirse desde abajo, a través de la organización popular y la participación directa de quienes sostienen la vida cotidiana en condiciones de asedio.
El caso del barco saqueado, como el bloqueo económico en su conjunto, demuestra que el imperialismo no busca “corregir” gobiernos, sino someter pueblos enteros mediante el hambre, el aislamiento y el castigo colectivo.
En Venezuela, como en el resto de América Latina, aun en medio de las dificultades dadas por la burocratización, las limitaciones y las tensiones con el Estado que tienden a debilitar la organización desde abajo, las comunas, los espacios territoriales y las formas de organización popular sostienen día a día la resistencia material y social frente al bloqueo, la escasez y la agresión imperialista.
Nuestra lucha va más allá de las fronteras impuestas por los Estados y nos une con el conjunto de las clases oprimidas. El gobierno imperialista del norte ha asumido una posición xenófoba, racista y persecutoria a las comunidades migrantes en su territorio. El ataque a Venezuela se sustenta ideológicamente en el racismo que es constitutivo del Estado estadounidense – como del resto de los Estados -, y que se irradia interna y externamente; en favor de las clases dominantes de dicho país.
Frente a esta ofensiva, como anarquistas denunciamos al gobierno de EEUU y afirmamos que la salida no vendrá de Estados más fuertes ni de disputas entre potencias, tampoco de las dichas organizaciones internacionales creadas por y para los Estados, sino de la construcción de un pueblo fuerte, organizado desde abajo, con independencia política y capacidad real de disputar poder.
La historia de América Latina demuestra que cada avance del imperialismo ha encontrado resistencia aun en condiciones adversas, esto sostiene la dignidad y la capacidad de respuesta colectiva, es la base material del poder popular desde abajo.
Porque frente al imperialismo no hay neutralidad posible. O se está del lado del dominio, el saqueo y la guerra, o se está del lado de los oprimidos.
Nuestra apuesta es de largo aliento pero es clara: fortalecer la organización popular, profundizar la resistencia y construir desde abajo un horizonte emancipador para las clases oprimidas del mundo.
¡El imperialismo no pasará!
¡Arriba los y las que luchan!
Coordinación Anarquista Latinoamericana – CALA
. fAu – federación Anarquista uruguaya (Uruguay)
. FAR – Federación Anarquista de Rosario (Argentina)
. CAB – Coordenação Anarquista Brasileira
. FAS – Federación Anarquista Santiago (Chile)
Organizaciones hermanas:
. OAC – Organización Anarquista de Córdoba (Argentina)
. ORA – Organización Resistencia Anarquista (Argentina)
. OAT – Organización Anarquista de Tucumán (Argentina)
. OASC – Organización Anarquista de Santa Cruz (Argentina)
. La Tordo Negro – Organización Anarquista Entrerriana (Argentina)
. Impulso Anarquista – Organización Anarquista de Neuquén (Argentina)
. BRRN – Black Rose/Rosa Negra Anarchist Federation (EEUU)
{ Coordenação Anarquista Brasileira – CAB }
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