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Manipulações da grande mídia em favor de Flávio Bolsonaro
por Francisco Fernandes Ladeira
Um dos maiores mitos do presente cenário político é a existência de um suposto antagonismo entre o bolsonarismo e os grandes grupos de comunicação do Brasil. No máximo, há uma divergência na chamada “pauta dos costumes”, sendo a grande mídia “liberal” – seguindo a ideologia identitária importada -, e os bolsonaristas “conservadores” (atualmente um eufemismo para quem odeia qualquer minoria). No que realmente importa – a questão econômica – ambos estão fechados em relação à aplicação da nefasta agenda neoliberal.
A parceria comunicacional é o principal ponto simbólico dessa aliança. Esqueçam as cenas de bolsonaristas raivosos agredindo jornalistas nos tempos da pandemia. Marinhos, Frias, Mesquitas, Abravanels, Saads e Bolsonaros sentam à mesma mesa (embora esses últimos não saibam usar os talheres).
Na análise lexical sobre a cobertura midiática hegemônica da eleição presidencial, o termo “extrema direita”, por exemplo, não foi usado para se referir ao posicionamento ideológico da chapa de Flávio Bolsonaro. Do mesmo modo, oito anos atrás, a candidatura do pai, Jair, foi tratada como “conservadora”. Na época da anteriormente mencionada pandemia da Covid-19, para forjar uma postura pseudo-crítica, alguns articulistas até usaram extrema direita, mas logo abandonaram a classificação.
Essa atual estratégia comunicacional tem um objetivo nítido: transformar Flávio no “bolsonarista moderado”, remetendo a título de um infeliz artigo de Joel Pinheiro da Fonseca. Assim, o candidato do PL foi vendido como alguém civilizado, que poderia até saber usar garfo e faca.
Além disso, pautar a agenda pública com assuntos favoráveis ao bolsonarismo foi a tônica dos últimos meses. Consequentemente, em vez de levantar questões concretas para a melhoria de vida da população, o debate político teve como focos a segurança pública tratada sob uma visão moralista e o STF supostamente ligado ao PT, entre outros distracionismos.
Hoje (5/10), o editorial de O Globo cinicamente sugeriu um Segundo Turno para Lula e Flávio debaterem propostas. Mas a própria grande mídia contribuiu para a despolitização da eleição. Lembrando os jogos de voleibol, a imprensa hegemônica levanta a bola para o bolsonarismo cortar. Neste pleito, as fake news dos tiozões do zap foram abastecidas pelos autointitulados jornalistas profissionais. Quanta ironia!
A cobertura midiática sobre a não realização do último debate entre presidenciáveis na Rede Globo ilustra este argumento. Ao noticiar que o debate foi cancelado por “insegurança jurídica” e criticar a ingerência do STF (que nada mais fez do que desmontar a farsa criada para Flávio Bolsonaro se destacar no debate), a emissora carioca forneceu o combustível ideal para os delírios do tipo “ditadura do STF/PT”. Nessa lógica, foi construído o capcioso discurso da ascensão de Flávio Bolsonaro nas pesquisas por causa da “censura” ao debate atribuída ao PT.
Ainda sobre as últimas sondagens presidenciais, o uso da expressão “onda de direita”, para definir o crescimento bolsonarista, foi o incentivo midiático para os eleitores da extrema direita e também para os indecisos. Uma explícita convocação para derrotar o PT já no primeiro turno.
No dia da eleição (4/10), articulistas da grande mídia comemoravam o fato de o pleito, diferentemente do anterior, ter ocorrido de forma pacífica, como se os cães raivosos da extrema direita deixassem de lado o radicalismo e, do nada, passassem a aceitar as regras do jogo. Mais uma vez foi reforçado o perfil bolsonarista moderado. Nessas horas de dobradinha, o gado não brada mais o mantra GloboLixo.
Por outro lado, o apoio ao bolsonarismo não está presente apenas no que se noticia, mas, sobretudo, no que é ocultado. Como exemplo, podemos citar que a grande mídia não repercutiu a matéria do site PlatôBR, que revelou uma série de elementos comprometedores para o presidenciável do PL, como orgias bancadas com dinheiro de origem suspeita, mimos de luxo recebidos de parceiros lobistas e uma operação para levar interesses de um “cliente” a Kassio Nunes Marques, ministro do STF. Não se trata de falso moralismo, mas não é difícil concluir que a linha editorial seria outra se o caso fosse relacionado a Lula.
Uma máxima marxista diz que o fascismo é a carta na manga que a classe dominante possui quando a chamada “democracia burguesa” não dá mais conta de manter os lucros do grande capital e conter o proletariado. Dessa forma, para a mídia hegemônica, representante dessa classe dominante, o importante é a roda do capital girar. Não importa se o presidente sabe usar talheres e falar francês, como foi Fernando Henrique Cardoso, ou se senta à mesa e “come com a mão”, como qualquer bolsonarista.
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