Rasgar a máscara


| Reprodução/AND |

‘O imperialismo sempre intervém nas eleições; agora a ingerência está escancarada’: diretor-geral de AND analisa farsa eleitoral

Em desdobramento do A Propósito #371, Victor Bellizia afirmou que a interferência ianque não ocorre contra o pleito, mas por meio dele, e que a particularidade de 2026 é o caráter aberto assumido por uma dominação antes exercida sob formas menos ostensivas.

por Redação de AND
|20/08/2026|

O imperialismo ianque sempre interveio nas eleições brasileiras, afirmou o diretor-geral de AND, Victor Bellizia, durante o A Propósito #371, transmitido em 30 de julho pelo canal do jornal no YouTube. Segundo ele, a ofensiva promovida pelo governo do canibal Donald Trump não constitui uma anomalia externa ao sistema eleitoral, mas uma expressão mais aberta de seu funcionamento habitual.

“Primeiro: o imperialismo sempre intervém nas eleições”, afirmou o representante de AND. “Aliás, as eleições são uma forma permanente de legitimar o estado de ingerência e de dominação imperialista no qual nosso País vive. O que há de particular hoje é que essa intervenção está escancarada”.

A análise foi apresentada diante da tentativa do Departamento de Estado de enviar funcionários ao Brasil para tratar da chamada “integridade eleitoral”, da agitação de Flávio e Eduardo Bolsonaro por maior presença estrangeira no pleito e das chantagens comerciais impostas por Washington.

Para o diretor-geral de AND, a chamada democracia burguesa não constitui um espaço neutro acima das classes e dos interesses econômicos. “A democracia em geral – e a democracia burguesa em particular – é um instrumento de poder, nada além disso”, afirmou.

Essa condição torna falsa a interpretação segundo a qual o imperialismo estaria atacando um processo eleitoral que, em si mesmo, representaria a soberania nacional. “A ingerência ianque não está sendo feita contra as eleições; está sendo feita por meio delas”, sintetizou.

Segundo o diretor-geral, uma eleição realizada sobre a base econômica do capitalismo burocrático, submetido ao capital financeiro imperialista, não pode produzir uma vontade política independente. “Enquanto essa base econômica permanecer sob domínio do capital financeiro e do imperialismo ianque, será a voz deles que prevalecerá”, declarou.

Victor recordou que Washington já utilizou eleições para intervir na Nicarágua, em 1990, e em El Salvador, em 2004. No Brasil, antes de 1964, o imperialismo também procurou impor seus interesses pelo financiamento de candidaturas, partidos e campanhas ideológicas. O golpe militar foi realizado quando a ingerência eleitoral e institucional deixou de ser suficiente para controlar a crise política.

“As eleições são, na verdade, um dos mecanismos pelos quais o imperialismo faz valer sua vontade, sua força e seus interesses”, afirmou. “O que há de particular agora é que os ianques se encontram em uma situação internacional e regional que os obriga a fazer, de forma particularmente descarada, aquilo que já faziam antes”.

Essa mudança está ligada ao declínio da hegemonia única ianque e ao crescimento das lutas populares e da pugna com outras potências. “Os ianques já não detêm uma hegemonia única e inquestionável. Seguem exercendo uma hegemonia única, mas ela já não é inquestionável; é uma hegemonia declinante”, analisou o representante de AND.

O diretor-geral também advertiu contra a falsa polarização que transforma o apoio ao atual processo eleitoral numa suposta resposta à interferência de Trump. “Se legitimássemos as eleições sob o pretexto de impedir o bolsonarismo e o trumpismo, estaríamos legitimando todas as políticas do imperialismo que percorrem, de maneira inalterada, todos os governos”, afirmou.

Para AND, a armadilha mantém as massas dentro do mesmo “círculo de ferro”: apresenta como saída a institucionalidade que perpetua a ingerência e a dominação que se pretende combater.

Assista ao programa na íntegra:

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| Jornal A Nova Democracia |

  “Soberania sob chantagem: EUA mira eleições e riquezas do Brasil”.

   .  Programa “A Propósito” #371  .

   _ com Pedro Marin, Victor Bellizia e Marcelle de Araújo.

   (por Giovanna Maria/AND – 30/07/2026)

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{ A Nova Democracia }

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