Fragmentação e Confrontos


| Reprodução/www |

“Fórum de Davos”: magnatas debatem e conspiram para salvar a velha ordem mundial da crise geral

por Redação de AND

Entre os dias 19 a 23 de janeiro de 2026, ocorre, em Davos-Klosters, Suíça, o 56º Fórum Econômico Mundial, onde os principais oligarcas do capital financeiro e seus representantes políticos discutem a situação econômica e política global. Na presente edição, é consenso entre todos os maiores nomes do capital financeiro criminal que o mundo “entrou em uma era de competição”, “caracterizada por fragmentação e confrontos” entre os diferentes Estados imperialistas e o capital financeiro de suas respectivas burguesias imperialistas, conforme consta no Relatório de Riscos Globais, emitido pelo Fórum.

O relatório, construído através de consultas às opiniões dos principais magnatas do capital financeiro e chefes de Estado e de governos, admite que o futuro próximo “será marcado por incertezas” e que os próximos tempos “serão turbulentos e tempestuosos” no curso dos próximos dois a dez anos.

O motivo para tamanho pessimismo, no caso da burguesia como reflexo de certo realismo, é apresentado pelo relatório em várias facetas. A chamada “crise da ordem global” é, para 68% dos magnatas entrevistados, um motivo importante que resultará na fragmentação do “ambiente político” para a próxima década. Outro fator, que aumentou na preocupação do capital financeiro, são os riscos econômicos, mais precisamente, a recessão econômica, a inflação e o estouro de bolhas de ativos, em suma, a próxima crise cíclica de superprodução do capital dentro da crise geral de decomposição sem precedentes.

Miséria e opulência, lado a lado

Outra preocupação do capital financeiro para a estabilidade de sua ordem é, por ele, considerada “polarização social persistente”, tratada como “risco estrutural e estável”, única preocupação que permanece no “top 10” tanto para curto prazo como para longo prazo nos últimos 5 anos.

Não é sem razão. A riqueza do capital financeiro, tratada no relatório como “bilionários”, atingiu o recorde de 18,3 trilhões de dólares em 2025, um aumento de 2,5 trilhões em apenas um ano. Desde 2020, a riqueza deste segmento do capital financeiro, os mais poderosos economicamente, cresceu nada menos que 81%, um ritmo três vezes mais rápido do que a média dos cinco anos anteriores.

Os chamados “bilionários”, que concentram tão abundante riqueza, diga-se, hoje não passam de 3 mil indivíduos em todo o mundo. Em números percentuais, significa dizer que 0,00004% da população mundial concentra, hoje, 18,3 trilhões de dólares.

Enquanto isso, ainda segundo a própria Oxfam, quase metade da população mundial vive na pobreza. Um em cada quatro indivíduos não possui acesso regular a alimentação suficiente. Tentando nutrir, nos pobres, esperanças na filantropia do capital financeiro e nas políticas de “redistribuição de renda”, a Oxfam afirma que o crescimento da riqueza dos bilionários desde 2020 seria suficiente para eliminar a pobreza global, por 26 vezes.

Apoiado nessa estrondosa fortuna, o capital financeiro exerce verdadeira ditadura sobre a informação. A Oxfam expõe que os bilionários são proprietários de mais da metade das empresas de meios de comunicação em massa no mundo, e de nove das dez maiores plataformas das chamadas “redes sociais”. Com elas, naturalmente, o capital financeiro possui total liberdade para manipular a realidade em proveito de seus vultuosos lucros máximos.

Por esse motivo, países altamente desiguais, entre concentração de riqueza e de pobreza, apresentam sete vezes mais risco de “retrocessos democráticos”, isto é, o acirramento da luta de classes com crescimento tanto de medidas fascistas como de situações revolucionárias que ameacem a estabilidade da democracia burguesa.

O próprio capital financeiro, no Fórum de Davos, reconhece os perigos nos quais se mete ao impor os povos do mundo em tal nível de extrema contradição. A desigualdade econômica é considerada, pelo capital financeiro, como um dos principais motores para a “polarização social”, e mais: a atual situação, de extrema concentração de riqueza num polo e pobreza num outro polo, é “terreno fértil para o ressentimento e a fragmentação da sociedade”, afirma o relatório do Fórum, quando, em realidade, a sociedade está já fragmentada precisamente por essa relação de exploração.

Explosividade das massas

A Oxfam, por seu turno, demonstra-se preocupada com o crescimento da explosividade das massas, tratada no seu informe como “levantes populares e raiva da população”. Segundo a ONG, o ano de 2025 foi marcado por inúmeros levantamentos em países da África, Ásia e América Latina, considerados como “uma nova revolução global”, nas quais as novas gerações têm tomado a dianteira exigindo “poder real” na política. As palavras da Oxfam trazem a tona a crise da democracia burguesa.

Além das exigências políticas das massas por um novo regime político, os protestos generalizados têm tido respaldo ainda no ódio da população às “medidas de austeridade”, como são os cortes de direitos, ao desemprego e alto custo de vida.

“(Nosso protesto) foi uma mensagem de que esta é uma nova revolução, não apenas em nosso país, mas em todo o mundo, de que a juventude deve ter voz e algum poder na política”, afirmou o jovem Gyawali, em referência aos imensos levantamentos que tomaram todo o Nepal em setembro de 2025. Ele destaca que o fato do sistema político trabalhar para o capital financeiro e para as classes dominantes locais foi o motivo, para ele, dos protestos. Em suas palavras: “Havia tantos casos de políticos recebendo dinheiro de empresários para trabalhar a seu favor… as pessoas comuns tinham que trabalhar arduamente por pouca recompensa (enquanto os ricos se beneficiavam)”.

Um novo período revolucionário

Jack A. Goldstone, sócio-cientista estadunidense, professor e historiador reconhecido nas próprias academias burguesas em todo o mundo por seus estudos sobre revoluções, afirma categoricamente: “Estamos em uma espécie de descida para um padrão autoritário em grande parte do mundo. Isso é também o início de um movimento revolucionário”.

Ele explica, em seu estudo “The World’s Descent into Authoritarianism May Trigger a Revolutionary Movement”: “As instituições políticas globais e nacionais dos últimos 50 anos estão desmoronando… Estão sendo desmanteladas tanto por grupos de elite em busca de vantagem quanto por populações profundamente insatisfeitas com as crises financeiras, o crescimento econômico e a falta de mobilidade social”. “É uma rejeição de democracias cada vez mais vistas como corruptas, egoístas e ineficazes para os cidadãos comuns”.

Goldstone, é claro, não é partidário do socialismo, única alternativa historicamente possível ao imperialismo. Por isso, suas constatações se somam ao temor, por ele mesmo admitido: “Estou preocupado que os anos 2020 se pareçam com os anos 1930″, diz, em referência ao surgimento do fascismo e de grandes revoluções.

{ A Nova Democracia }

░░░░░░░░░░░░

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Esse site utiliza o Akismet para reduzir spam. Aprenda como seus dados de comentários são processados.