Um Estado que há 500 anos nos mata

  “Bolsonaro foi condenado”.

   (por Antimídia, Setembro de 2025)

“Bolsonaro foi condenado.

E muitas pessoas estão celebrando, o que é compreensível. Bolsonaro foi um presidente autoritário que incentivou a perseguição e violência contra movimentos sociais, dissidentes de gênero e sexualidade, que impulsionou o genocídio indígena, promoveu a misoginia e a violência policial contra pessoas negras e periféricas, a devastação dos ambientes naturais e não hesitou em colocar o lucro das elites acima das nossas vidas durante a pandemia da COVID-19 enquanto debochava da maior crise de saúde da história deste território.

Porém sua prisão reforça a lógica carcerária e a legitimidade do chamado ‘Estado Democrático de Direito’, levando diversas pessoas que buscam por justiça social a apoiar as instituições de um Estado que é a base das injustiças que afligem este território há 500 anos. O Estado brasileiro é uma ferramenta colonialista criada pela nobreza portuguesa para explorar as habitantes e saquear as riquezas destas terras para o benefício de uma elite. E os poderes políticos existem para administrar esse Estado; enquanto o judiciário, com seus tribunais, polícias e prisões, serve para manter essa ordem brutal, punindo qualquer pessoa que ousar desafiá-la ou se levantar contra ela.

Seja no governo social democrata do PT ou sob um regime neofascista da extrema-direita, a característica originária colonial e extrativista do Estado brasileiro se mantém. Nem mesmo Lula, admirado por tantas pessoas, contraria essa lógica. Pelo contrário, ele a reforça e impulsiona, passando por cima da autodeterminação dos povos indígenas para construir ferrovias em suas terras e abrindo a Amazônia ainda mais para o extração de petróleo e outros minerais cobiçados pelo capital internacional. Tudo isso legitimado pelo frágil verniz da chamada democracia.

Enquanto houver Estado, enquanto houver capitalismo, vamos viver sob a ameaça da tomada de poder por fascistas. A história já nos mostrou diversas vezes que as estruturas centralizadoras de poder do Estado a qualquer momento podem ser, e serão, tomadas novamente por autoritários, déspotas, fascistas e genocidas.

Então, mesmo que dê gosto ver Bolsonaro começando a se dar mal, apoiar e fortalecer essas instituições por punirem fascistas e golpistas é um tiro no pé. Porque não há dúvida que elas serão usadas para perseguir, com ainda mais rigor, populações marginalizadas e movimentos sociais radicais que buscam o fim dessa ordem opressiva e injusta e a construção de um mundo livre, justo e igualitário.

Não queremos o fortalecimento das instituições que sempre foram usadas contra as pessoas mais vulneráveis e contra as lutas populares. Não queremos a soberania de um Estado que há 500 anos nos mata, nos oprime e devasta estas terras. Queremos sua abolição, para que possamos enfim buscar a libertação total, através da autodeterminação dos povos e territórios, da solidariedade e do internacionalismo.”

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