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Editorial – O Irã se soma ao campo da Revolução Mundial
Defender a guerra de resistência nacional do povo iraniano é agora parte das tarefas dos internacionalistas.
por Redação de AND
|06/03/2026|
Os ataques ianque-sionistas de 28 de fevereiro de 2026 marcam uma nova e inédita fase da obstinada campanha de agressão contra a nação iraniana. Sob a justificativa torpe de combater o programa nuclear iraniano por “ser uma ameaça à existência do EUA”, a agressão já vitimou mais de 1,2 mil pessoas, segundo a imprensa iraniana, sendo 13% de mulheres e crianças. O número de civis feridos ultrapassa a cifra de 6 mil, o que se soma a tantos crimes de lesa-humanidade que constam na ficha corrida dos demônios ianques e da besta nazi-sionista.
O que há de extraordinário, no entanto, é a resposta iraniana, que demonstra a dignidade e a determinação da nação que se recusa se tornar escrava dos agressores ianques. O martírio – como chamam eles próprios a morte quando na luta – de Ali Khamenei, líder supremo da República Islâmica do Irã, não se trata de sinal da superioridade ianque e sionista; antes, é um ato último da dedicação à causa nacional, de entregar a vida para unir toda a nação, sabendo que, desta vez, o ataque do imperialismo ianque seria abrangente e determinado a ultrapassar várias linhas vermelhas em busca de cessar o programa nuclear. Khamenei morreu com seus entes queridos, em seu escritório oficial, que não era secreto, em seu posto de comando. Está a milhares de léguas de distância de Netanyahu, quem, ao escutar o estalido de uma bomba de São João, destina-se imediatamente à busca de abrigo e lugar seguro. O primeiro, a despeito de todo o seu passado, morreu convertendo-se em um herói da luta anti-imperialista; o segundo, sempre será um miserável lacaio do imperialismo.
Os acontecimentos são novas e profundas demonstrações de um período particular da crise geral do imperialismo, de uma fase particular dentro da etapa imperialista de manifesto desespero ianque ante o franco declínio de sua hegemonia no mundo; fase em que, sobre a base dessa decomposição geral do sistema imperialista, a explosividade das massas atinge níveis extraordinários, expressos no avanço da luta de libertação nacional e da resistência anti-imperialista e antifascista nos países oprimidos e da resistência operária, popular e antifascista nos países desenvolvidos, convertendo-se em um ambiente geral crescentemente favorável ao desenvolvimento do fator subjetivo da Revolução Proletária Mundial. Em primeiro termo, “os de cima não podem seguir governando como antes”: os ianques recorrem à agressão, contra Venezuela, Cuba e Irã, ademais de manter mais de 800 bases militares por todo o globo, não porque estejam mais fortes do que nunca, e sim porque não podem mais impor sua vontade pela simples dissuasão militar, mas tão somente pelo canhonaço. É, antes de mais nada, a sua fragilidade o que se ressalta, e ao fazê-lo, empurra nações inteiras para o campo da Revolução Proletária Mundial. Os ianques não podem controlar como antes, nem a seus contendentes imperialistas: as redefinições sobre a OTAN, o crescimento da contenda com a França, Alemanha e, principalmente, com a China e Rússia demonstram que a hegemonia ianque já está abertamente questionada, e está posta sua derrocada nos fatos da agudização das contradições interimperialistas, pelas guerras de libertação nacional e rebeliões populares contra seus lacaios nos países oprimidos e a elevação violenta da luta de classes nos países desenvolvidos. A ofensiva contrarrevolucionária de caráter geral do imperialismo ianque é derrotada, plano por plano, emboscada em suas contradições internas e recebera um golpe fortíssimo com o Dilúvio de Al-Aqsa, que pôs a nu a essência de fragilidade do imperialismo e seus lacaios mediante a luta armada. Aqui, também, está o segundo elemento: “os de baixo não aceitam seguir como antes”. O crescimento do fator subjetivo, do movimento de libertação nacional, é sem precedente nos últimos 50 anos, assim como, do movimento proletário internacional, do ressurgimento de organizações populares de autodefesa armada no EUA, passando pelo cada vez maior nível da consciência das massas, ainda que incompleta, sobre a essência do sistema de exploração e opressão, até o reaparecimento de um Movimento Comunista Internacional redivivo e em marcha à reunificação, como não se via, também, há 40 anos.
Milhões de massas no Oriente Médio, na Ásia, na Europa, na América Latina e no interior do próprio EUA se levantam em um novo impulso do movimento anti-imperialista; guerras de libertação nacional, de resistência e guerras populares em todo o mundo se alçam na tormenta. As agressões imperialistas lançam divisões inteiras das nações oprimidas para o campo da luta bélica contra o imperialismo, contra os demônios ianques; reaparece a importância do revisionismo, agora de Xi Jinping, como perigoso traficante que busca, com o apoio dos revisionistas de todo o mundo, empalmar a luta anti-imperialista para seus planos hegemonistas. Trata-se, realmente, de um novo período, um período particular, com características distintas; um novo período de revoluções.
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A autodefesa iraniana tem dado contundentes golpes nos agressores, demonstrando grande capacidade militar para uma guerra defensiva de caráter prolongado. São mais de 650 baixas nas tropas ianques-sionistas, segundo fontes iranianas, entre mortes e feridos, o que obviamente não é admitido pelos agressores. As bases militares ianques no Kuwait, Bahrein, Iraque, Catar e Emirados Árabes foram atingidas por mísseis e drones iranianos. Foram mais de 500 mísseis balísticos lançados pelo Irã, 2 mil ataques com drones, contra mais de 27 bases ou instalações militares ianques ou sionistas, em dez países diferentes. As organizações anti-imperialistas na região também se levantaram e golpearam alvos ianques no Iêmen, Iraque, Kuwait, Síria e Líbano, com mais de 100 ataques com foguetes e drones.
A estratégia iraniana está bem delineada já nos primeiros dias da resistência à agressão estrangeira. O controle do Estreito de Ormuz é parte estratégica da defesa da nação: com ele, o Irã controla o tráfego de 20% do petróleo mundial, que escoa através dessa estreita rota marítima, ou aproximadamente 20 milhões de barris de petróleo por dia.
O país persa anunciou o fechamento da rota e, ato contínuo, o tráfego de petroleiros caiu cerca de 70% – uma interrupção sem precedentes recentes. Desta forma, a agressão ianque-sionista resulta, inevitavelmente, na elevação do preço internacional do petróleo – cujo barril, que custava até alguns meses 45 dólares, agora está sendo cotado em mais de 80 dólares – e consequente pressão inflacionária mundial, com riscos severos de recessão global, o que afeta a todas as potências imperialistas e as monarquias lacaias da região, além de divisões no seio do establishment ianques, que resultam em pressão pelo fim das agressões.
Quanto mais se prolongar a agressão, maior será o custo político, econômico e militar para os ianques – e, de toda forma, o isolamento político se faz já sentir, com o maior questionamento da hegemonia ianque em curso na Europa e na Ásia em curso e que se aprofundará. Não sem motivo a França anunciou, nesse ínterim, que retomará a produção de aprimoramento de seu arsenal nuclear, enquanto a Rússia e a China também o fazem.
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Nós, o movimento anti-imperialista e os internacionalistas, devemos levantar um poderoso movimento de apoio à guerra de resistência nacional do povo iraniano, somado ao já em curso movimento de apoio ao povo venezuelano e ao povo palestino. São diferentes frentes da mesma luta internacional contra o imperialismo, da qual fazem parte e são vanguarda as guerras populares na Índia, Peru, Filipinas e Turquia – cujos movimentos de apoio são indesligáveis daqueles. Defender a guerra de resistência nacional do povo iraniano é agora parte das tarefas dos internacionalistas, pontuando sempre a necessidade da direção proletária, mas em frente única contra o inimigo comum, o agressor imperialista.
{ A Nova Democracia }
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