{"id":79441,"date":"2025-08-25T13:25:02","date_gmt":"2025-08-25T16:25:02","guid":{"rendered":"http:\/\/aluzerna.com.br\/?p=79441"},"modified":"2025-08-25T13:25:02","modified_gmt":"2025-08-25T16:25:02","slug":"por-tras-do-odio-classista","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/aluzerna.com.br\/?p=79441","title":{"rendered":"Por tr\u00e1s do \u00f3dio classista"},"content":{"rendered":"<h6><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone\" src=\"http:\/\/www.aluzerna.com.br\/2025\/25-08-2025b.jpg\" alt=\"\" width=\"555\" height=\"370\" \/><br \/>\n<span style=\"color: #000000;\">| Reprodu\u00e7\u00e3o\/www |<\/span><\/h6>\n<p><span style=\"color: #00ff00;\">\u21c5<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"text-decoration: underline;\"><strong><em><span style=\"color: #000000; text-decoration: underline;\">Aporofobia, um sintoma da crise civilizat\u00f3ria<\/span><\/em><\/strong><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\"><em>Cunhado por Adela Cortina, fil\u00f3sofa espanhola, o termo refere-se \u00e0 \u201cavers\u00e3o ao pobre\u201d. Por tr\u00e1s do \u00f3dio classista, a distopia ultraliberal de s\u00f3 quem se senta \u00e0 mesa do consumismo \u00e9 humano. Combater essa l\u00f3gica vai al\u00e9m de valores \u00e9ticos e solid\u00e1rios<\/em><\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #000000;\"><em>por Roberto Rohregger<\/em><\/span><br \/>\n<span style=\"color: #000000;\"><em> |13\/06\/2021|<\/em><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\"><em>Aporofobia<\/em> e <em>hiperconsumismo<\/em>. Os termos usados no t\u00edtulo deste artigo talvez possam parecer estranhos, e de fato s\u00e3o, principalmente pela sua falta de uso. N\u00e3o tanto a palavra hiperconsumismo, que na sua conjun\u00e7\u00e3o de termos nos d\u00e1 uma dica sobre o que pretende nomear. Por\u00e9m, a primeira palavra, aporofobia, ainda nos \u00e9 pouco conhecida, trata-se de um termo novo, rec\u00e9m-criado, que se fazia necess\u00e1rio pois, se queremos identificar algo, precisamos nomear esse algo. \u00c9 a partir deste conceito que a fil\u00f3sofa espanhola Adela Cortina desenvolveu o termo aporofobia, formado pela jun\u00e7\u00e3o dos termos gregos, <em>\u00c1-poros<\/em>: pobre e <em>fob\u00e9o<\/em>: avers\u00e3o) isto \u00e9, a palavra tem o objetivo de identifica\u00e7\u00e3o tanto um sentimento quanto uma a\u00e7\u00e3o, ou seja, a avers\u00e3o ao pobre. A fil\u00f3sofa detalha a necessidade da cria\u00e7\u00e3o do termo em seu livro <em>Aporofobia, a avers\u00e3o ao pobre, um desafio para a democracia<\/em>, em virtude de um fen\u00f4meno cada vez mais observado em nossa sociedade, a discrimina\u00e7\u00e3o e repulsa ao pobre, ao desprovido de recursos materiais. Fen\u00f4meno este cada vez mais saliente em v\u00e1rios pa\u00edses e que n\u00e3o \u00e9 diferente, pelo que podemos constatar, aqui no Brasil.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\">J\u00e1 o termo hiperconsumismo \u00e9 bem desenvolvido pelo fil\u00f3sofo franc\u00eas Gilles Lipovetsky em que apresenta a ideia de que a nossa sociedade est\u00e1 extremamente centrada no consumo como sentido para o ser. Na sociedade contempor\u00e2nea o sentido do ser est\u00e1 vinculado ao ter, ao consumir e ao produzir, isto \u00e9, \u00e9 necess\u00e1rio ser produtivo e consumir para apresentar-se como relevante, como indiv\u00edduo, cidad\u00e3o. Inclusive devemos ser produtivos em consumir, em ter novas experi\u00eancias e emo\u00e7\u00f5es, tudo de forma r\u00e1pida e superficial, pois h\u00e1 outros bens a consumir e novas experi\u00eancias por se experimentar. Tudo isto passa a imagem que o indiv\u00edduo \u00e9 o \u00fanico respons\u00e1vel pelo seu \u00eaxito, mas tamb\u00e9m acaba deixando-o desamparado, frustrado e ansioso, enquanto suas redes sociais mostram seus conhecidos com vidas aparentemente mais satisfat\u00f3rias, ali\u00e1s, n\u00e3o h\u00e1 mundo mais feliz do que aquele representado em nossas redes sociais.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\">Ap\u00f3s compreendermos estes dois termos \u00e9 que podemos constatar que s\u00e3o dois lados da mesma moeda. Moeda esta que representa um dos problemas de nossa sociedade contempor\u00e2nea, que se retroalimentam, uma profunda aliena\u00e7\u00e3o do sentido da vida. Como se opta por ignorar uma estrutura social absurdamente injusta, o pobre \u00e9 visto como o \u00fanico respons\u00e1vel pela sua pobreza, aquele que n\u00e3o teve capacidade ou n\u00e3o desejou contribuir para sua evolu\u00e7\u00e3o material, incapaz desta forma de inserir-se na sociedade de consumo. Assim o termo aporofobia representa esta crescente discrimina\u00e7\u00e3o e, por vezes, com um discurso de \u00f3dio contra o desfavorecido, que j\u00e1 n\u00e3o \u00e9 compreendido como um problema da sociedade, mas sim um problema para a sociedade, e que agora se apresenta inclusive como um inimigo do Estado que tem como objetivo n\u00e3o reduzir as desigualdades sociais, mas desaparecer com o pobre, pelo menos da vista dos demais. \u00c9 assim que pol\u00edticas p\u00fablicas que visam\u00a0\u00e0 inclus\u00e3o social s\u00e3o substitu\u00eddas por implanta\u00e7\u00e3o de pedras embaixo de viadutos para impedir que sem tetos possam passar a noite, com o m\u00ednimo de abrigo, que mendigos que dormem perto de com\u00e9rcios s\u00e3o molhados durante a noite para afugent\u00e1-los. O Estado, ao agir de forma desumana, legitima a aporofobia e tende a diminuir a solidariedade e aprofundar a vis\u00e3o discriminat\u00f3ria do pobre na sociedade. Estes conceitos com rela\u00e7\u00e3o ao pobre e o valor \u201cinquestion\u00e1vel\u201d do consumismo tendem a representarem uma vis\u00e3o de mundo alicer\u00e7adas por um conceito de meritocracia imposs\u00edvel de existir em uma sociedade com abismos sociais t\u00e3o profundos.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\">Ao conseguirmos nomear este fen\u00f4meno \u00e9 dado o primeiro passo para entender o problema e buscarmos uma solu\u00e7\u00e3o. Solu\u00e7\u00e3o esta que passa indubitavelmente por pol\u00edticas p\u00fablicas de longo prazo para a popula\u00e7\u00e3o de rua e de diminui\u00e7\u00e3o da pobreza, mas tamb\u00e9m de educa\u00e7\u00e3o social, de aprimoramento \u00e9tico e solid\u00e1rio da sociedade, sem a qual corremos o risco de repetir alguns horrores de um passado n\u00e3o muito distante.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\"><strong>{<\/strong> <em>Outras Palavras<\/em> <strong>}<\/strong><\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #00ff00;\">\u2591\u2591\u2591\u2591\u2591\u2591\u2591\u2591\u2591\u2591\u2591\u2591<\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>| Reprodu\u00e7\u00e3o\/www | \u21c5 Aporofobia, um sintoma da crise civilizat\u00f3ria Cunhado por Adela Cortina, fil\u00f3sofa espanhola, o termo refere-se \u00e0 \u201cavers\u00e3o ao pobre\u201d. 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