{"id":7821,"date":"2016-07-02T12:08:16","date_gmt":"2016-07-02T16:08:16","guid":{"rendered":"http:\/\/aluzerna.com.br\/?p=7821"},"modified":"2016-07-02T12:08:16","modified_gmt":"2016-07-02T16:08:16","slug":"vitrines","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/aluzerna.com.br\/?p=7821","title":{"rendered":"Vitrines"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-full wp-image-8433\" src=\"http:\/\/aluzerna.com.br\/wp-content\/uploads\/02-07-2016b.gif\" alt=\"02-07-2016b\" width=\"80\" height=\"64\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\"><em>A bola, o jornalismo e o jornalismo da bola!<\/em> (Ricardo S.)<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\"><strong>. . .<\/strong><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"text-decoration: underline; color: #000000;\"><em><strong>Voc\u00ea torce pra quem?<\/strong><\/em><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\"><em>por Rog\u00e9rio Christofoletti<\/em><\/span><br \/>\n<span style=\"color: #000000;\"> <em>[reproduzido do objETHOS]<\/em><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\">&#8220;Come\u00e7ou o maior campeonato de futebol do mundo!&#8221;. &#8220;A bola est\u00e1 rolando na competi\u00e7\u00e3o mais disputada nos gramados do planeta!&#8221;. Certamente, voc\u00ea deve ter ouvido isso no fim de semana, j\u00e1 que teve in\u00edcio o Brasileir\u00e3o 2011. Em campo, s\u00e3o cem times, divididos nas s\u00e9ries A, B, C e D, enfrentando-se em 38 rodadas e mobilizando torcidas de todo o pa\u00eds, literalmente. \u00c9 sim a maior vitrine do futebol no pa\u00eds, onde craques s\u00e3o revelados, t\u00e9cnicos s\u00e3o al\u00e7ados \u00e0 condi\u00e7\u00e3o de &#8220;g\u00eanios&#8221;, e outros tantos lan\u00e7ados ao subsolo do esporte, o oposto da gl\u00f3ria. Com essas caracter\u00edsticas e dada a import\u00e2ncia do futebol para o imagin\u00e1rio nacional, o Brasileir\u00e3o pode mesmo ser o maior do mundo. Mas de que forma isso afeta o jornalismo que se ocupa dele? Ou, refazendo a pergunta: O maior campeonato do mundo tem a maior e a melhor cobertura jornal\u00edstica?<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\">\u00c9 dif\u00edcil definir se a cobertura que os ve\u00edculos nacionais d\u00e3o \u00e0 competi\u00e7\u00e3o seja a mais bem feita do planeta. As \u00faltimas duas d\u00e9cadas mostraram grandes avan\u00e7os t\u00e9cnicos na transmiss\u00e3o dos jogos pelos meios eletr\u00f4nicos: pela televis\u00e3o, o p\u00fablico tem acesso a um festival de imagens, bem captadas e caprichosamente editadas; pelo r\u00e1dio, a emo\u00e7\u00e3o do campo chega em \u00e1udio mais n\u00edtido e mais longe ainda; a internet vale-se de v\u00eddeos, da narra\u00e7\u00e3o em tempo real, da interatividade que aproxima o torcedor da cobertura, de fotos e especiais multim\u00eddia.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\">Curiosamente, os avan\u00e7os na cobertura contrastam com a resist\u00eancia do pr\u00f3prio futebol em alterar suas regras, e com a dos clubes e das federa\u00e7\u00f5es em profissionalizar suas gest\u00f5es.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\"><strong><em>Raz\u00e3o e paix\u00e3o<\/em><\/strong><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\">No jornalismo, n\u00e3o se nota apenas avan\u00e7os, e algumas preocupa\u00e7\u00f5es de fundo permanecem. Nem para o p\u00fablico, nem para jogadores e dirigentes, parece n\u00edtida a fun\u00e7\u00e3o e a posi\u00e7\u00e3o dos jornalistas. S\u00f3 para lembrar a todos: o jornalista n\u00e3o \u00e9 o fiel da balan\u00e7a num conflito, nem a sua parte mais evidente e importante. \u00c9 apenas o profissional que se ocupa de fazer &#8220;marca\u00e7\u00e3o cerrada&#8221; nos centros de treinamento e est\u00e1dios, em busca de informa\u00e7\u00e3o. \u00c9 apenas o profissional que corre atr\u00e1s de not\u00edcia como o atacante corre atr\u00e1s da bola. \u00c9 t\u00e3o somente um elemento na cadeia que tenta aproximar o p\u00fablico\u00a0&#8211; independente da camisa que veste\u00a0&#8211; do fato\u00a0&#8211; no campo ou fora dele.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\">Jornalista pode ter time de prefer\u00eancia? Claro que sim. Na maioria das vezes, rep\u00f3rter esportivo gosta muito de futebol e por que n\u00e3o teria l\u00e1 seus favoritos? Jornalista pode &#8220;confessar&#8221; sua equipe do cora\u00e7\u00e3o? Pode. E ao contr\u00e1rio do que possa parecer, isso pode ser um refor\u00e7o para a sua credibilidade como profissional, pois n\u00e3o estar\u00e1 &#8220;escondendo o jogo&#8221;.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\">O dilema do jornalista que torce n\u00e3o \u00e9 torcer ou expor seu time, mas faz\u00ea-lo mantendo uma dist\u00e2ncia cr\u00edtica que permita que suas paix\u00f5es n\u00e3o contaminem a cobertura dos fatos, e desviem-no do seu trabalho. Isto \u00e9, a paix\u00e3o n\u00e3o \u00e9 vetada, mas ela n\u00e3o pode promover uma amn\u00e9sia no profissional, fazendo-o esquecer sua efetiva fun\u00e7\u00e3o naquele contexto.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\">Mas como fazer isso? Em casos extremos, jornalistas-torcedores se tornam tamb\u00e9m c\u00e3es de guarda de fora dos muros do seu clube: zelam tanto para que as coisas estejam bem que chegam a perseguir cartolas e atletas. Para que tudo esteja bem, seus times precisam estar acima da linha da perfei\u00e7\u00e3o. E, \u00e9 claro, aqui tamb\u00e9m temos exageros que desviam os jornalistas de suas fun\u00e7\u00f5es, pois &#8220;vigiam&#8221; mais uma equipe em detrimento de outras.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\">Como fazer, ent\u00e3o? Buscar construir uma rela\u00e7\u00e3o de equil\u00edbrio, de dist\u00e2ncia segura que permita o tom cr\u00edtico mas que tamb\u00e9m aceite enaltecer aspectos positivos. N\u00e3o \u00e9 f\u00e1cil, mas jornalismo nunca \u00e9 f\u00e1cil. O jornalista n\u00e3o pode abandonar sua fun\u00e7\u00e3o de reportar para encarnar o l\u00edder de torcida, inflamado que contagia as massas. Nem pode deixar o lado racional (e razo\u00e1vel) para se mover pelo passional.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\"><strong><em>Travo amargo<\/em><\/strong><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\">Em outro quadrante, o profissional tamb\u00e9m deve evitar rela\u00e7\u00f5es de subservi\u00eancia, aquelas em que dirigentes, atletas e outros est\u00e3o acima dos interesses p\u00fablicos da boa informa\u00e7\u00e3o. \u00c1rbitro de futebol manda no campo e apenas nos 90 minutos da partida. N\u00e3o \u00e9 ele quem decide o que o jornalista deve perguntar. Cartola manda no pr\u00f3prio clube e n\u00e3o pode hostilizar jornalistas, amea\u00e7ando de fechar os port\u00f5es aos setoristas. Dirigentes das federa\u00e7\u00f5es causam grande constrangimento a rep\u00f3rteres exigindo que estes vistam coletes de identifica\u00e7\u00e3o para cobertura em campo, ostentando logomarcas dos grandes patrocinadores.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\">\u00c9 no campo dos grandes interesses, geralmente conflitantes, que o jornalista joga. O futebol, como outros esportes, \u00e9 polarizador por natureza: op\u00f5e equipes e objetivos contr\u00e1rios. Rep\u00f3rteres metem-se no meio desses desejos e precisam dali extrair informa\u00e7\u00e3o qualificada. Fatores exteriores ao gramado s\u00e3o cada vez mais influentes: os anunciantes governam a grade de programa\u00e7\u00e3o das emissoras televisivas, que por sua vez ditam os hor\u00e1rios das partidas, a despeito dos interesses e conveni\u00eancia de quem vai aos est\u00e1dios e paga para assistir; redes de televis\u00e3o disputam os direitos de transmiss\u00e3o dos jogos, negociando de forma agressiva e desleal, priorizando aspectos que nem sempre s\u00e3o esportivos ou merecedores da aten\u00e7\u00e3o do p\u00fablico. O futebol fica em terceiro plano, o esporte e a paix\u00e3o ficam relegados \u00e0 mat\u00e9ria combust\u00edvel dos neg\u00f3cios, a informa\u00e7\u00e3o se mescla ao espet\u00e1culo e perde parte substancial de sua natureza.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\">O Brasileir\u00e3o 2011 j\u00e1 come\u00e7ou. Com ele, v\u00eam a campo n\u00e3o apenas os milhares de atletas e seus sonhos de vit\u00f3ria, mas tamb\u00e9m jogos mais subterr\u00e2neos, dos quais o jornalista n\u00e3o pode tamb\u00e9m descuidar. Se isso acontecer, periga ter o gosto amargo de um gol contra.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\"><strong>{<\/strong>\u00a0<em>Observat\u00f3rio da Imprensa<\/em>\u00a0<strong>}<\/strong><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: right;\"><span style=\"color: #000000;\"><span style=\"text-decoration: underline;\">Publicado em<\/span>\u00a011.06.2011<\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A bola, o jornalismo e o jornalismo da bola! (Ricardo S.) . . . Voc\u00ea torce pra quem? por Rog\u00e9rio Christofoletti [reproduzido do objETHOS] &#8220;Come\u00e7ou o maior campeonato de futebol do mundo!&#8221;. &#8220;A bola est\u00e1 rolando na competi\u00e7\u00e3o mais disputada nos gramados do planeta!&#8221;. 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