{"id":7170,"date":"2016-06-11T19:56:16","date_gmt":"2016-06-11T23:56:16","guid":{"rendered":"http:\/\/aluzerna.com.br\/?p=7170"},"modified":"2016-06-12T08:01:01","modified_gmt":"2016-06-12T12:01:01","slug":"7170","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/aluzerna.com.br\/?p=7170","title":{"rendered":"&#8220;Quase n\u00e3o sabia&#8221;"},"content":{"rendered":"<div id=\"attachment_7171\" style=\"width: 365px\" class=\"wp-caption alignnone\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-7171\" class=\"size-full wp-image-7171\" src=\"http:\/\/aluzerna.com.br\/wp-content\/uploads\/11-06-2016g.jpg\" alt=\"Reprodu\u00e7\u00e3o\/www\" width=\"355\" height=\"443\" srcset=\"https:\/\/aluzerna.com.br\/wp-content\/uploads\/11-06-2016g.jpg 355w, https:\/\/aluzerna.com.br\/wp-content\/uploads\/11-06-2016g-240x300.jpg 240w\" sizes=\"auto, (max-width: 355px) 100vw, 355px\" \/><p id=\"caption-attachment-7171\" class=\"wp-caption-text\">Reprodu\u00e7\u00e3o\/www<\/p><\/div>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"text-decoration: underline;\"><span style=\"color: #000000;\"><strong><em>Acusado de torturar Dilma d\u00e1 entrevista: \u201cEra uma coisa comum\u201d<\/em><\/strong><\/span><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\"><em>por Rafael Motta<br \/>\n[A Tribuna de Santos]<\/em><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\">Em entrevista ao jornal A Tribuna de Santos, o tenente-coronel reformado Maur\u00edcio Lopes Lima nega que a tenha torturado, mas a pr\u00f3pria hist\u00f3ria que conta o incrimina.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\">Um apartamento no Bairro das Ast\u00farias, em Guaruj\u00e1, \u00e9 a resid\u00eancia de um militar da reserva acusado pela presidente eleita da Rep\u00fablica, Dilma Rousseff, de ter presenciado sua torturada em 1970. Segundo ela, em depoimento \u00e0 Justi\u00e7a Militar, o oficial tamb\u00e9m chefiou dois outros militares que compareceram ao pres\u00eddio Tiradentes e a amea\u00e7aram.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\">Na ocasi\u00e3o, ela perguntou se eles estavam autorizados pelo Poder Judici\u00e1rio. E recebeu a seguinte resposta: \u201cVoc\u00ea vai ver o que \u00e9 o juiz l\u00e1 na Opera\u00e7\u00e3o Bandeirante\u201d (um dos centros de tortura da ditadura militar).<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\">N\u00e3o s\u00f3 nesse pres\u00eddio, como no Dops paulistano (outro \u00f3rg\u00e3o dos aparelhos de seguran\u00e7a), Dilma Rousseff sofreu as seguintes torturas: choques el\u00e9tricos, pau de arara e palmat\u00f3ria. Teve um dente quebrado e, devido a hemorragias graves, foi levada ao Hospital Central do Ex\u00e9rcito e ao Hospital das Cl\u00ednicas.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\">A Tribuna localizou, no Guaruj\u00e1, o ent\u00e3o capit\u00e3o e hoje tenente-coronel reformado Maur\u00edcio Lopes Lima. Ele admite a repress\u00e3o, mas nega ter seviciado qualquer preso, inclu\u00edda a presidente eleita. Em entrevista ao jornal Folha de S. Paulo, em abril do ano passado, Dilma afirmou que Lima presenciou as torturas, mas n\u00e3o a agrediu.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\">O tenente-coronel, de 75 anos, \u00e9 apontado pelo Minist\u00e9rio P\u00fablico Federal (MPF), em a\u00e7\u00e3o civil p\u00fablica ajuizada na \u00faltima quinta-feira, como um dos respons\u00e1veis por seis mortes ou desaparecimentos for\u00e7ados e por tortura a outras 20 em 1969 e 1970, no auge da ditadura militar brasileira (1964-1985). Segundo o MPF, o militar foi \u201cchefe de equipe de busca e orientador de interrogat\u00f3rios\u201d da Opera\u00e7\u00e3o Bandeirante (Oban) e do DOI\/Codi\u00a0&#8211; Departamentos de Opera\u00e7\u00f5es de Informa\u00e7\u00e3o dos Centros de Opera\u00e7\u00f5es de Defesa Interna.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\">Em quase uma hora de entrevista, o ex-integrante da Oban afirmou ter exercido apenas fun\u00e7\u00f5es investigativas: \u201cEu era o chefe da equipe das investiga\u00e7\u00f5es. Tinha o chefe da equipe do interrogat\u00f3rio\u201d, cujo nome n\u00e3o declinou. Nesse departamento, seriam aplicados m\u00e9todos de tortura para obten\u00e7\u00e3o de informa\u00e7\u00f5es. \u201cCriminoso s\u00f3 fala em ju\u00edzo. Mas n\u00f3s t\u00ednhamos uma pressa, porque os outros continuavam. Eram verdadeiras quadrilhas de terroristas\u201d.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\">A Oban foi um grupo composto por militares e civis especializados na ca\u00e7a de organiza\u00e7\u00f5es que se opunham \u00e0 ditadura, sob a alega\u00e7\u00e3o de que seriam terroristas. Foram raras, contudo, a\u00e7\u00f5es violentas contra inocentes cometidas pela esquerda. O terrorismo de Estado e de grupos de extrema direita, este sim, era frequente.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\">Lima, que ocupou a fun\u00e7\u00e3o entre outubro de 1969 e o primeiro bimestre de 1971, \u00e9 apontado como \u201cpart\u00edcipe direto de viol\u00eancias\u201d em face de 16 das 26 v\u00edtimas apontadas no documento. Os outros citados pelo MPF s\u00e3o os tamb\u00e9m militares reformados Homero Cesar Machado, Innocencio Fabricio de Mattos Beltr\u00e3o (ambos do Ex\u00e9rcito) e Jo\u00e3o Thomaz (capit\u00e3o reformado da Pol\u00edcia Militar). Se a a\u00e7\u00e3o for declarada procedente, os quatro ser\u00e3o responsabilizados por torturas e mortes, ter\u00e3o de indenizar as v\u00edtimas (entre elas, Dilma) e suas aposentadorias poder\u00e3o ser cassadas.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\">A seguir, trechos da entrevista de Maur\u00edcio Lopes Lima para A Tribuna.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\"><strong>. . .<\/strong><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\"><em><strong>\u201cTodo terrorista passou a ser torturado\u201d<\/strong><\/em><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\"><strong>A Tribuna\u00a0&#8211;<\/strong> <em>Como o sr. ingressou na Opera\u00e7\u00e3o Bandeirante?<\/em><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\"><strong>Maur\u00edcio Lopes Lima\u00a0&#8211;<\/strong>\u00a0Eu fui designado. Se me recusasse, estaria numa posi\u00e7\u00e3o muito horr\u00edvel. Mas, ali\u00e1s, eu fui porque concordava. Discordo totalmente da luta armada. Eu acho que a luta armada tem de ser feita por profissionais, e n\u00e3o por civis irrespons\u00e1veis. (\u2026) Houve um tenente que estava no DOI-Codi e teve que se casar. Como n\u00e3o estava programado, ent\u00e3o pegaram o capit\u00e3o Maur\u00edcio (referindo-se a si mesmo em terceira pessoa), que estava proposto para transfer\u00eancia para a pol\u00edcia do Ex\u00e9rcito, ao lado da minha casa, l\u00e1 no Ibirapuera (na Capital)\u2026 Eu escutava at\u00e9 a corneta de l\u00e1\u2026 \u201cJ\u00e1 que voc\u00ea vai ser transferido, voc\u00ea est\u00e1 sendo designado pro DOI-Codi, pra Opera\u00e7\u00e3o Bandeirante\u201d. E eu fui, e ocupei inicialmente a posi\u00e7\u00e3o de chefe de equipe de busca. Ent\u00e3o, o que era o chefe de equipe de busca? N\u00f3s receb\u00edamos pedidos de busca, v\u00e1rios, escolh\u00edamos aqueles terroristas que t\u00ednhamos mais possibilidade de encontrar e encontr\u00e1vamos o terrorista, ou n\u00e3o o encontr\u00e1vamos. Como encontrava, n\u00e3o sei, porque \u00e0s vezes levava tiro, \u00e0s vezes n\u00e3o levava, ent\u00e3o, foi uma coisa totalmente\u2026 Na entrada num aparelho (base operacional de supostos terroristas), n\u00f3s tivemos v\u00e1rios feridos, v\u00e1rios, inclusive, mortos, no Rio de Janeiro etc.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\"><strong>A Tribuna\u00a0&#8211;<\/strong>\u00a0<em>Pessoas do Ex\u00e9rcito morreram nessas a\u00e7\u00f5es?<\/em><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\"><strong>Maur\u00edcio Lopes Lima\u00a0&#8211;<\/strong>\u00a0Sim. N\u00f3s vamos chegar, ent\u00e3o, ao fim da picada, que \u00e9 a dona Dilma, e \u00e9 por isso que voc\u00eas est\u00e3o aqui\u2026 Com a Dilma aconteceu o seguinte: eu tive tr\u00eas contatos com a Dilma. No primeiro contato, ela foi presa num ponto com, possivelmente, outro integrante (do grupo de guerrilha VAR-Palmares).<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\"><strong>A Tribuna\u00a0&#8211;<\/strong>\u00a0<em>Onde foi isso?<\/em><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\"><strong>Maur\u00edcio Lopes Lima\u00a0&#8211;<\/strong>\u00a0Foi em S\u00e3o Paulo. (\u2026) Este foi o primeiro encontro com a Dilma, ela presa e eu, que j\u00e1 chefiava a parte de investiga\u00e7\u00f5es. Me perguntaram: \u201cMaur\u00edcio, n\u00f3s tamos com um problema a\u00ed, que acho que \u00e9 do comando nacional da VAR-Palmares, a Dilma. Mas n\u00f3s n\u00e3o temos fotografia, n\u00f3s n\u00e3o temos nada. Nem xerox consta\u201d\u2026 Xerox, naquelas m\u00e1quinas\u2026 Falei: \u201cEu vou pegar o dossi\u00ea e vou conversar com ela\u201d. Ent\u00e3o, cheguei, e disse: \u201cDona Dilma Vana Rousseff Linhares. A senhora \u00e9 membro do comando nacional da VAR-Palmares\u201d\u2026 A\u00ed, comecei a contar a hist\u00f3ria dela: \u201cNasceu em tanto, de tanto de tanto\u2026\u201d. E disse at\u00e9 o nome do marido, dos amantes, de tudo. A\u00ed, no final, eu acho que ela viu que n\u00e3o tinha jeito, que n\u00f3s \u00edamos identific\u00e1-la. Como ela era de Minas (Gerais), n\u00f3s \u00edamos mandar a identifica\u00e7\u00e3o pra Minas e, no final, ela disse: \u201cT\u00e1 bem, eu sou a Dilma, e tudo\u2026\u201d. Eu disse: \u201cT\u00e1 bem. Fecha a porta. Ela j\u00e1 reconheceu que n\u00e3o era o que tava na carteira de identidade, carteira falsa\u201d. A\u00ed, o pessoal foi conversar com ela. Pronto: foi meu primeiro contato. O segundo contato foi quando ela resolveu entregar algu\u00e9m. Ent\u00e3o, ela saiu comigo e n\u00f3s fomos dar um passeio. N\u00f3s fomos a um local onde funcionava uma f\u00e1brica de bombas que, um pouquinho antes, tinha explodido, levando at\u00e9 a m\u00e3o de uma das terroristas\u2026 (\u2026) Eu n\u00e3o tive mais contato com a Dilma. Fui encontr\u00e1-la na auditoria militar, em 1970, porque o processo foi julgado e ela foi condenada. Fui uma das testemunhas de acusa\u00e7\u00e3o. E, assim, cessou meu contato com ela.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\"><strong>A Tribuna\u00a0&#8211;<\/strong>\u00a0<em>O sr. deve ter lido o depoimento dela (na auditoria), em que ela n\u00e3o o considerava testemunha porque o sr. \u201cfoi um dos torturadores da Organiza\u00e7\u00e3o Bandeirante\u201d.<\/em><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\"><strong>Maur\u00edcio Lopes Lima\u00a0&#8211;<\/strong>\u00a0N\u00e3o. Eu n\u00e3o sei de onde vem. Ela mesma reconheceu que eu n\u00e3o a torturei\u2026 (Levanta-se e traz recorte do jornal Folha de S. Paulo, onde consta que o \u201ccapit\u00e3o [posto que Lima ocupava em 1970] presenciou sess\u00f5es, mas n\u00e3o a agrediu\u201d). Eu n\u00e3o presenciei. Eu nego. Eu n\u00e3o sei onde arranjaram.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\"><strong>A Tribuna\u00a0&#8211;<\/strong>\u00a0<em>Estou vendo, aqui, um par\u00e1grafo da entrevista que a Folha fez no ano passado: \u201cDilma afirmou que Lima presenciou as torturas, mas n\u00e3o realizou pessoalmente nenhuma agress\u00e3o contra ela\u201d.<\/em><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\"><strong>Maur\u00edcio Lopes Lima\u00a0&#8211;<\/strong>\u00a0Ent\u00e3o, j\u00e1 come\u00e7a a haver conflito. Se, de um lado, eu sou torturador, n\u00e3o torturei por qu\u00ea? Porque ela era bonita? Ela era horr\u00edvel (ri). Hoje, a Dilma \u00e9 muito mais bonita.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\"><strong>A Tribuna\u00a0&#8211;<\/strong>\u00a0<em>O sr. disse que foi destacado\u2026<\/em><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\"><strong>Maur\u00edcio Lopes Lima\u00a0&#8211;<\/strong>\u00a0Fui designado para a Opera\u00e7\u00e3o Bandeirante. Foi uma coisa interna.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\"><strong>A Tribuna\u00a0&#8211;<\/strong>\u00a0<em>N\u00e3o era uma fun\u00e7\u00e3o de chefia, de comando?<\/em><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\"><strong>Maur\u00edcio Lopes Lima\u00a0&#8211;<\/strong>\u00a0N\u00e3o, eu substitu\u00ed outro que j\u00e1 estava.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\"><strong>A Tribuna\u00a0&#8211;<\/strong>\u00a0<em>Mas essa sua substitui\u00e7\u00e3o, mesmo o sr. dizendo n\u00e3o ter agido diretamente em sess\u00f5es de tortura, no caso de Dilma, n\u00e3o poderia torn\u00e1-lo tamb\u00e9m respons\u00e1vel, de forma solid\u00e1ria, pelo fato de exercer fun\u00e7\u00e3o de comando?<\/em><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\"><strong>Maur\u00edcio Lopes Lima\u00a0&#8211;<\/strong>\u00a0\u00c9 aquele neg\u00f3cio: n\u00f3s est\u00e1vamos numa guerra; eu estava de um lado. L\u00f3gico que eu sou contr\u00e1rio ao outro lado. Agora, \u00e9 uma coisa, tamb\u00e9m, que rep\u00f3rter n\u00e3o entende: o que \u00e9 seguran\u00e7a? Em assuntos de seguran\u00e7a, quanto menos voc\u00ea sabe, menos respons\u00e1vel voc\u00ea \u00e9. Ent\u00e3o, n\u00f3s \u00e9ramos setorizados. N\u00e3o \u00e9 que eu n\u00e3o pudesse saber: eu n\u00e3o queria saber. Eu n\u00e3o vou\u2026 Quanto menos eu soubesse, menos respons\u00e1vel eu seria pelo sigilo.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\"><strong>A Tribuna\u00a0&#8211;<\/strong>\u00a0<em>De certa forma, n\u00e3o sabia de tudo?<\/em><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\"><strong>Maur\u00edcio Lopes Lima\u00a0&#8211;<\/strong>\u00a0Quase n\u00e3o sabia. E, principalmente\u2026 Ela (Dilma) tem uma outra alega\u00e7\u00e3o: que foram dois elementos da minha equipe no pres\u00eddio Bandeirantes (na verdade, Tiradentes) amea\u00e7\u00e1-la. Nunca nenhum dos meus elementos da equipe cumpriu uma ordem que eu n\u00e3o determinasse. Eu estava \u00e0 testa de tudo. E eu n\u00e3o determinei e eles n\u00e3o fizeram.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\"><strong>A Tribuna\u00a0&#8211;<\/strong>\u00a0<em>Agora, quanto a interrogat\u00f3rios mais duros, em sess\u00f5es de tortura\u2026<\/em><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\"><strong>Maur\u00edcio Lopes Lima\u00a0&#8211;<\/strong>\u00a0Tortura. Pode ter havido tortura de ambos os lados. Eu sou uma testemunha da tortura. Sim, eu sou. Eu comandei a equipe que desenterrou o capit\u00e3o Mendes (Alberto Mendes J\u00fanior, da Pol\u00edcia Militar, morto em 10 de maio de 1970 em Sete Barras, no Vale do Ribeira, durante persegui\u00e7\u00e3o ao ex-capit\u00e3o do Ex\u00e9rcito Carlos Lamarca) em Registro, e ele foi morto sob tortura. Lamarca e mais cinco julgaram o capit\u00e3o Mendes e o condenaram no justi\u00e7amento. O Brasil passou a ter pena de morte.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\"><strong>A Tribuna\u00a0&#8211;<\/strong>\u00a0<em>Conforme conven\u00e7\u00f5es internacionais, o crime de tortura, independentemente do lado, \u00e9 imprescrit\u00edvel e, mesmo havendo, como no Brasil, a Lei da Anistia, se entende que pode haver a obrigatoriedade de san\u00e7\u00f5es a quem participou disso.<\/em><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\"><strong>Maur\u00edcio Lopes Lima\u00a0&#8211;<\/strong>\u00a0N\u00e3o, n\u00e3o aceito. N\u00e3o aceito porque a tortura, no Brasil, era uma coisa comum.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\"><strong>A Tribuna\u00a0&#8211;<\/strong>\u00a0<em>Dos dois lados?<\/em><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\"><strong>Maur\u00edcio Lopes Lima\u00a0&#8211;<\/strong>\u00a0N\u00e3o, da pol\u00edcia nossa. Era uma coisa normal. Sua empregada roubou, voc\u00ea a levava l\u00e1 \u00e0 delegacia, a\u00ed o delegado j\u00e1 (dizia): \u201cPode deixar que a gente vai dar um pau nela\u201d. Dali a um pouquinho, ela voltava. Pegou um dinheiro, emprestou pra fulano de tal, t\u00e1 em tal lugar\u2026 Ent\u00e3o, \u00e9 comum, em todas as delegacias do Brasil. Ent\u00e3o, esse neg\u00f3cio de dizer que tortura\u2026 Todo terrorista passou a ser torturado. Todo. N\u00e3o tem exce\u00e7\u00e3o.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\"><strong>A Tribuna\u00a0&#8211;<\/strong>\u00a0<em>O sr. nunca chegou a participar diretamente de sess\u00f5es de tortura?<\/em><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\"><strong>Maur\u00edcio Lopes Lima\u00a0&#8211;<\/strong>\u00a0N\u00e3o, n\u00e3o, n\u00e3o, n\u00e3o. Dentro do setor de investiga\u00e7\u00f5es, s\u00e3o investiga\u00e7\u00f5es. Agora, quando voc\u00ea fala em depoimentos, \u00e9 outra coisa. A\u00ed, eu caio fora\u2026<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\"><strong>A Tribuna\u00a0&#8211;<\/strong>\u00a0<em>O sr. votou nesta elei\u00e7\u00e3o (n\u00e3o era obrigado, por ter mais de 70 anos)?<\/em><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\"><strong>Maur\u00edcio Lopes Lima\u00a0&#8211;<\/strong>\u00a0Votei,o voto \u00e9 secreto (risos). Eu poderia dizer que votei na Dilma, e a\u00ed, \u201c\u00f3timo, t\u00e1 vendo, Dilma? O Maur\u00edcio \u00e9 bonzinho e votou em voc\u00ea, t\u00e1?\u201d. Poderia dizer que votei no (Jos\u00e9) Serra, que \u00e9 uma p\u00e9ssima escolha, mas eu poderia votar nele tamb\u00e9m.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\"><strong>A Tribuna\u00a0&#8211;<\/strong>\u00a0<em>Particularmente para o sr., como foi lidar com a fam\u00edlia naquele per\u00edodo?<\/em><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\"><strong>Maur\u00edcio Lopes Lima\u00a0&#8211;<\/strong> Lidar com a fam\u00edlia foi um pouco dif\u00edcil. Depois que houve a Anistia, a minha fam\u00edlia foi punida.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\"><strong>A Tribuna\u00a0&#8211;<\/strong>\u00a0<em>De que maneira?<\/em><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\"><strong>Maur\u00edcio Lopes Lima\u00a0&#8211;<\/strong>\u00a0Fun\u00e7\u00f5es. A minha ex-esposa (historiadora) perdeu o cargo (num programa na TV Cultura) e foi tirada de lado porque era esposa de militar. O que dizer para a minha esposa? Antes eu mandava, agora n\u00e3o mando mais. Ent\u00e3o, fica dif\u00edcil explicar as coisas.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\"><strong>{<\/strong>\u00a0<em>Grupo Tortura Nunca Mais\/RJ\u00a0&#8211; GTNM\/RJ<\/em>\u00a0<strong>}<\/strong><\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Acusado de torturar Dilma d\u00e1 entrevista: \u201cEra uma coisa comum\u201d por Rafael Motta [A Tribuna de Santos] Em entrevista ao jornal A Tribuna de Santos, o tenente-coronel reformado Maur\u00edcio Lopes Lima nega que a tenha torturado, mas a pr\u00f3pria hist\u00f3ria que conta o incrimina. 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