{"id":67535,"date":"2020-10-14T12:02:58","date_gmt":"2020-10-14T15:02:58","guid":{"rendered":"http:\/\/aluzerna.com.br\/?p=67535"},"modified":"2020-10-14T12:04:14","modified_gmt":"2020-10-14T15:04:14","slug":"do-capitalismo-humanizado-e-democratizado","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/aluzerna.com.br\/?p=67535","title":{"rendered":"Do Capital Humanizado e Democratizado"},"content":{"rendered":"<h6><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone\" src=\"http:\/\/www.aluzerna.com.br\/2020\/14-10-2020a.jpg\" alt=\"\" width=\"490\" height=\"540\" \/><br \/>\n<span style=\"color: #000000;\">| &#8220;Oppression&#8221;\/Richard Claraval |<\/span><\/h6>\n<p><span style=\"color: #00ff00;\">\u21c5<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"text-decoration: underline;\"><strong><em><span style=\"color: #000000; text-decoration: underline;\">A vanguarda do atraso<\/span><\/em><\/strong><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em><span style=\"color: #000000;\">por Reda\u00e7\u00e3o de AND<\/span><\/em><br \/>\n<em><span style=\"color: #000000;\"> [ Editorial ]<\/span><\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\">Um dos espet\u00e1culos mais tragic\u00f4micos do Brasil atual \u00e9 o papel desempenhado pela velha esquerda reformista. Os mesmos que, quando Dilma foi impedida, espernearam um \u201cgolpe\u201d, e que passaram os \u00faltimos meses empenhados na constru\u00e7\u00e3o de um grande \u201cfrent\u00e3o antifascista\u201d (que inclu\u00eda vastos setores da rea\u00e7\u00e3o), s\u00e3o os primeiros a se apresentar como defensores incondicionais da ordem estabelecida a cada elei\u00e7\u00e3o. Buscam amealhar o voto popular usando o mesmo expediente ordin\u00e1rio das promessas baratas e das chantagens do dito \u201cvoto \u00fatil\u201d, com resultados cada vez mais p\u00edfios, sen\u00e3o, constrangedores. O fracasso da sua defesa da \u201c\u00e9tica na pol\u00edtica\u201d e de um social-democratismo tupiniquim\u00a0&#8211; num pa\u00eds em que mais de 50 mil pessoas s\u00e3o assassinadas anualmente\u00a0&#8211; \u00e9 parte da crise geral do pr\u00f3prio Estado burgu\u00eas-latifundi\u00e1rio, do qual s\u00e3o uma esp\u00e9cie de vanguarda do atraso.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\">Por enquanto, os reformistas s\u00e3o aceitos no circo pseudo-democr\u00e1tico como s\u00f3cios minorit\u00e1rios, cuja fun\u00e7\u00e3o \u00e9 emprestar alguma legitimidade \u00e0 inaltern\u00e2ncia real do poder estatal, mascarada como altern\u00e2ncia peri\u00f3dica de governantes. De toda sorte, h\u00e1 situa\u00e7\u00f5es em que seu papel de for\u00e7a auxiliar passa a primeiro plano: quando as classes dominantes se veem amea\u00e7adas por crises severas e protestos populares. N\u00e3o raro, nestes momentos, os diferentes partidos reformistas s\u00e3o guindados ao Executivo, como uma esp\u00e9cie de reserva moral destas classes. Isso ocorreu na Am\u00e9rica Latina no in\u00edcio dos anos 2000, e tamb\u00e9m em alguns pa\u00edses europeus, ap\u00f3s a crise de 2008. Qual o resultado, sem exce\u00e7\u00f5es? Trai\u00e7\u00e3o \u00e0s aspira\u00e7\u00f5es populares e governos de \u201ccoaliz\u00e3o\u201d que aprofundaram a explora\u00e7\u00e3o dos trabalhadores e ampliaram, com raz\u00e3o, o seu rep\u00fadio \u00e0 hipocrisia demoliberal. O fato de este rep\u00fadio \u00e0 ordem ter sido capturado, numa s\u00e9rie de pa\u00edses\u00a0&#8211;\u00a0inclusive no Brasil\u00a0&#8211;\u00a0pelas for\u00e7as da extrema-direita n\u00e3o se deve a uma \u201cguinada fascista\u201d das amplas massas, mas, sim, \u00e0 capitula\u00e7\u00e3o mais desavergonhada dos que se apresentavam como seus \u201cmais fi\u00e9is representantes\u201d aos interesses reacion\u00e1rios.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\">Na verdade, na fase atual de crise geral do imperialismo, at\u00e9 concess\u00f5es secund\u00e1rias aos oper\u00e1rios, camponeses, intelectuais e demais massas populares s\u00e3o impossibilidades de fato. Mesmo nos pa\u00edses mais avan\u00e7ados do ponto de vista capitalista, onde houve o chamado \u201cEstado de bem-estar social\u201d, \u00e0s custas de golpes militares e da pilhagem desapiedada do Terceiro Mundo, assistimos \u00e0 sua dilapida\u00e7\u00e3o cont\u00ednua pelos sucessivos governos de turno, sejam quais sejam suas filia\u00e7\u00f5es ideol\u00f3gicas declaradas. A velha Europa arde, atualmente, convulsionada por crises econ\u00f4micas e pol\u00edticas severas, que se retroalimentam, e o Estados Unidos se v\u00ea \u00e0s portas de uma guerra civil. Pretender, agora, quando a reacionariza\u00e7\u00e3o pol\u00edtica \u00e9 a regra mesmo nas rep\u00fablicas burguesas mais democr\u00e1ticas, atingir via elei\u00e7\u00f5es a garantia de direitos efetivos aos milh\u00f5es de explorados nas semicol\u00f4nias n\u00e3o \u00e9 apenas um erro te\u00f3rico e pol\u00edtico, mas uma descarada engana\u00e7\u00e3o, quase um puro misticismo.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\">No caso brasileiro, quais as maiores m\u00e1quinas eleitorais em opera\u00e7\u00e3o? O latif\u00fandio, em primeiro lugar, que sempre teve nas prefeituras o seu mais seguro basti\u00e3o, fosse qual fosse o governo central. Nos grandes centros urbanos, temos os pistoleiros clericais, as diferentes \u201cassocia\u00e7\u00f5es de moradores\u201d (vinculadas, quase sempre, aos criminosos locais), as fam\u00edlias tradicionais cujos tent\u00e1culos abra\u00e7am os chamados tr\u00eas poderes da rep\u00fablica, os magnatas do com\u00e9rcio e da ind\u00fastria, banqueiros, os monop\u00f3lios de comunica\u00e7\u00e3o etc. S\u00e3o estas as verdadeiras for\u00e7as que movem os candidatos como ventr\u00edloquos. Uma diminuta fra\u00e7\u00e3o do eleitorado, em geral ligada \u00e0 pequena burguesia, vota apenas segundo os des\u00edgnios da sua consci\u00eancia, que \u00e9 via de regra t\u00e3o med\u00edocre e filistina quanto a sua exist\u00eancia. Estes moralistas, que aceitam o que \u00e9 essencial na ordem, mas querem depur\u00e1-la de suas pervers\u00f5es, embarcam em qualquer canoa que garanta a paz social e seus sal\u00e1rios em dia; do fundo do seu cora\u00e7\u00e3o gostariam que os ricos pagassem mais impostos e que a pol\u00edtica burguesa se parecesse mais com uma reparti\u00e7\u00e3o honesta do que com um prost\u00edbulo. Via de regra, \u00e9 este o m\u00e1ximo horizonte dos nossos reformistas, embora haja os que prometem realizar o socialismo, devidamente adaptado \u00e0 lei eleitoral e financiado pelo fundo partid\u00e1rio. Estes \u00faltimos, no entanto, raramente ultrapassam 1% dos votos. O bom senso do p\u00fablico costuma faz\u00ea-lo optar por mentiras um pouco mais realistas.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\">Por tudo isso, a \u00fanica pol\u00edtica consequente, do ponto de vista dos interesses populares, \u00e9 recha\u00e7ar com firmeza a farsa eleitoral. Ano ap\u00f3s ano os \u00edndices de votos brancos, nulos e absten\u00e7\u00f5es t\u00eam crescido, o que demonstra n\u00e3o uma despolitiza\u00e7\u00e3o das massas\u00a0&#8211; como querem os ide\u00f3logos reacion\u00e1rios\u00a0&#8211; mas seu rep\u00fadio \u00e0 aus\u00eancia de mudan\u00e7as efetivas na sua vida a cada pleito. Ainda que lhes falte uma sistematiza\u00e7\u00e3o cient\u00edfica e o entendimento das leis que regem a sociedade em que vivem, as massas, por sua experi\u00eancia acumulada, v\u00e3o tateando o caminho e chegando a conclus\u00f5es, diariamente mais consistentes, de que h\u00e1 que romper radicalmente com o sistema pol\u00edtico. Esta insatisfa\u00e7\u00e3o generalizada, a aspira\u00e7\u00e3o de ruptura violenta contra tudo o que existe, seguir\u00e1 sendo um elemento decisivo da pol\u00edtica brasileira (e mundial) nos tempos que correm. O papel dos revolucion\u00e1rios \u00e9 estender essa insatisfa\u00e7\u00e3o pol\u00edtica \u00e0 insatisfa\u00e7\u00e3o com a pr\u00f3pria ordem econ\u00f4mica vigente, e n\u00e3o faz\u00ea-la retroceder no rumo de ilus\u00f5es requentadas com um capitalismo \u201chumanizado\u201d e \u201cdemocratizado\u201d\u00a0&#8211; uma impossibilidade te\u00f3rica, hist\u00f3rica e pol\u00edtica. Enfim, unir a estrat\u00e9gia revolucion\u00e1ria a essas massas revoltas, dando-lhes os fundamentos cient\u00edficos para solu\u00e7\u00e3o da tarefa j\u00e1 secularmente pendente e atrasada que a Na\u00e7\u00e3o reclama: a Revolu\u00e7\u00e3o de Nova Democracia.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\"><strong>{<\/strong> <em>A Nova Democracia<\/em> <strong>}<\/strong><\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #00ff00;\">\u2022<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #00ff00;\">\u2591\u2591\u2591\u2591\u2591\u2591\u2591\u2591\u2591\u2591\u2591\u2591<\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>| &#8220;Oppression&#8221;\/Richard Claraval | \u21c5 A vanguarda do atraso por Reda\u00e7\u00e3o de AND [ Editorial ] Um dos espet\u00e1culos mais tragic\u00f4micos do Brasil atual \u00e9 o papel desempenhado pela velha esquerda reformista. 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