{"id":5883,"date":"2016-04-20T23:16:02","date_gmt":"2016-04-21T03:16:02","guid":{"rendered":"http:\/\/aluzerna.com.br\/?p=5883"},"modified":"2016-04-20T23:36:23","modified_gmt":"2016-04-21T03:36:23","slug":"me-beija-me-bate-e-me-joga-no-chao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/aluzerna.com.br\/?p=5883","title":{"rendered":"Me beija, me bate e me joga no ch\u00e3o!"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-full wp-image-5884\" src=\"http:\/\/aluzerna.com.br\/wp-content\/uploads\/20-04-2016e.jpg\" alt=\"20-04-2016e\" width=\"400\" height=\"304\" srcset=\"https:\/\/aluzerna.com.br\/wp-content\/uploads\/20-04-2016e.jpg 400w, https:\/\/aluzerna.com.br\/wp-content\/uploads\/20-04-2016e-300x228.jpg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 400px) 100vw, 400px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\"><em>Os coment\u00e1rios de Motta Lima para o &#8216;Direto da Reda\u00e7\u00e3o&#8217; chegaram na semana seguinte \u00e0 final do Futebol Americano. Aqui na pasta\u00a0\u201dRascunho\u201d desde l\u00e1, enquanto o servilismo vigente tornava obsoleto\u00a0o caso pr\u00e1tico\u00a0de \u201cO apag\u00e3o moral da grande imprensa\u201d.<\/em><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\"><em>\u00c9 sintonizar ou ler qualquer grande empresa de comunica\u00e7\u00e3o\u00a0&#8211; entenda-se proteger o investimento sob o argumento da exclusividade dos direitos de transmiss\u00e3o\u00a0&#8211; para n\u00e3o ficar ausente <\/em><em>a chance de uma cr\u00edtica ferrenha \u00e0 la \u201ccomplexo de vira-latas\u201d.<\/em><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\"><em>Em n\u00edvel continental, se um\u00a0gramado na Libertadores apresenta\u00a0irregularidade, prontamente, o ran\u00e7o de\u00a0pilh\u00e9ria aos pa\u00edses hermanos\u00a0&#8211; exce\u00e7\u00e3o aos argentinos, que motivam at\u00e9 a \u201ctroca de nacionalidade\u201d nos potreros e sal\u00f5es de\u00a0cabeleireiros de parte do Brasil.<\/em><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\"><em>O outro amargo, a pr\u00f3pria Copa Libertadores e\u00a0a justificativa\u00a0previs\u00edvel: \u201cNa Champions \u00e9 outro n\u00edvel, \u00e9 outro mundo\u201d.<\/em><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\"><em>Falando\u00a0em sintonia,\u00a0a do r\u00e1dio, mais um caso dos boquirrotos que s\u00f3 diminuem o passo adiante da regi\u00e3o, latino-americana ou nacional.<\/em><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\"><em>Na \u00faltima rodada da Fase de\u00a0Grupos da Copa do Nordeste Menos\u00a0Piau\u00ed e\u00a0\u00a0Maranh\u00e3o 2013, o dial virtual encontrava-se estacionado numa AM de Salvador (BA). A partida era no interior de\u00a0Sergipe.<\/em><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\"><em>Com a falta de energia para\u00a0alimentar os refletores, comentaristas e narrador \u201cda cidade grande\u201d, entre alguns desmerecimentos aos locais do agreste, ao Estado, e portanto, ao Nordeste, inocularam preconceitos velados pelas ondas virtuais.<\/em><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\"><em>\u201cO neg\u00f3cio \u00e9 o Bahia abrir logo quatro, cinco gols no primeiro tempo e fazer a sua parte!\u201d, dizia um destemido comentarista, que conclui com o tucano \u201cCom todo respeito ao Itabaiana, n\u00e9 esse o nome? Mas o Bahia tem que fazer o m\u00e1ximo de gols logo!\u201d Mal assimilava a p\u00e9rola radiof\u00f4nica e\u00a0outro polia:\u00a0\u201dIh, faltou energia! Me disseram que \u00e9 normal faltar energia nesse est\u00e1dio, nos jogos noturnos\u00a0sempre\u00a0acontece esse\u00a0problema!\u201d, cumpria, achava, com o furor necess\u00e1rio para um rep\u00f3rter!!!<\/em><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\"><em>Passada a lapida\u00e7\u00e3o\u00a0decorrente da aus\u00eancia de eletricidade, um agradinho\u00a0ao anfitri\u00e3o, ningu\u00e9m \u00e9 de ferro: \u201cO interessante, viu, \u00e9 que a torcida local comparece, mas o\u00a0mais interessante \u00e9 que vem com a camisa do time! Est\u00e1 vendo que n\u00e3o \u00e9 todo o\u00a0Nordeste que vai para um jogo de clube local com camisa dos times de Rio-S\u00e3o Paulo?\u201d, refletira o jornalista, dando moedinha de 1 centavo para a torcida.<\/em><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\"><em>Interven\u00e7\u00e3o. De not\u00edcia quent\u00edssima, jornalismo real.<\/em><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\"><em>Rep\u00f3rter\u00a0pede a palavra e interrompe o\u00a0debate dos demais fil\u00f3sofos das quatro linhas: \u201cConversei com um funcion\u00e1rio do est\u00e1dio e aqui n\u00e3o h\u00e1 gerador de eletricidade, hein?\u201d, outra voz da sabedoria ecoa e manda o cl\u00e1ssico \u201cS\u00f3 no Brasil mesmo, um est\u00e1dio sem gerador, perto de uma Copa do Mundo! Que vergonha, Meu Deus do C\u00e9u!\u201d.<\/em><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\"><em>Lastim\u00e1vel, pois esqueceram que a\u00a0Fonte Nova, anos atr\u00e1s, foi interditada por desabamento de arquibancada.<\/em><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\"><em>Lembrete:\u00a0o duelo entre os tricolores sergipano e baiano terminou em zero a zero. Tsc, tsc.<\/em>\u00a0(Ricardo S.)<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\"><strong>. . .<\/strong><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"text-decoration: underline;\"><span style=\"color: #000000;\"><em><strong>O apag\u00e3o moral da grande imprensa<\/strong><\/em><\/span><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\"><em>por Rodolpho Motta Lima<\/em><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\">J\u00e1 mencionei aqui uma frase que acompanhava os brasileiros na d\u00e9cada de 60, proferida por Juracy Magalh\u00e3es, pol\u00edtico baiano, ao assumir o posto de embaixador junto aos Estados Unidos: \u201cO que \u00e9 bom para os Estados Unidos \u00e9 bom para o Brasil\u201d. Ela foi dita poucos meses antes do golpe militar que instaurou a ditadura entre n\u00f3s\u00a0&#8211; fruto de um acerto entre gorilas de plant\u00e3o e os homens da CIA\u00a0&#8211; e quase vinte anos depois de um outro baiano, o ent\u00e3o senador Ot\u00e1vio Mangabeira, quando da vinda ao Brasil do general americano Eisenhower, ter-se ajoelhado contrito, beijando, como bom colonizado, as m\u00e3os daquele que seria depois Presidente da Rep\u00fablica nos EUA.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\">Essa postura de submiss\u00e3o, um desejo n\u00e3o revelado de, quem sabe, trocar todas as estrelas de nossa bandeira por uma \u00fanica estrela na bandeira estadunidense, revela-se com frequ\u00eancia quase doentia na exalta\u00e7\u00e3o permanente que nossas elites fazem das virtudes dos americanos, passando, n\u00e3o raro, por cima de cen\u00e1rios nada merit\u00f3rios, como, por exemplo, os que cercam a viol\u00eancia interna e externa t\u00edpica de muitos setores daquele pa\u00eds, ou os que povoam a gan\u00e2ncia especulativa de seus meios financeiros, gerando cat\u00e1strofes globalizadas que nem mesmo as esperan\u00e7as depositadas em Obama est\u00e3o conseguindo fazer retroceder.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\">Nada a discutir contra o destino que os norte-americanos pretendem para o seu pr\u00f3prio pa\u00eds, nada mesmo a comentar sobre a aliena\u00e7\u00e3o que comanda as mentes e cora\u00e7\u00f5es do cidad\u00e3o comum da Am\u00e9rica. Falo do cidad\u00e3o comum porque, \u00e9 claro, h\u00e1 muita vida inteligente naquele pa\u00eds, h\u00e1 os que ocupam pra\u00e7as em protesto, os que questionam preconceitos e discrimina\u00e7\u00f5es hist\u00f3ricas, h\u00e1 uma produ\u00e7\u00e3o art\u00edstica de confronto aos falsos valores moralistas e ideol\u00f3gicos que pululam por l\u00e1. Mas tudo a argumentar contra esse posicionamento vira-lata de brasileiros que atribuem a eles e a seu sistema todas as virtudes, sempre contrapostas ao nossos \u201cdefeitos cr\u00f4nicos\u201d, imposs\u00edveis de superar, e sempre com cr\u00edticas aos que ousam dizer, aqui e ali, que \u201co rei est\u00e1 nu\u201d.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\">Mas isso tudo vem a prop\u00f3sito de um fato recente que a grande m\u00eddia praticamente omitiu, mas que as redes sociais n\u00e3o deixaram passar em branco\u2026 Ou melhor, n\u00e3o deixaram passar no escuro. Falo do apag\u00e3o que acorreu por ocasi\u00e3o do Super Bowl que encerrou o campeonato de futebol americano da NFL, nos Estados Unidos. O Super Bowl \u00e9 o maior dos eventos produzidos nos EUA, tido e havido como inigual\u00e1vel como show, organiza\u00e7\u00e3o, compet\u00eancia, que, na vis\u00e3o de alguns, s\u00f3 os americanos possuem, ou, no m\u00ednimo, possuem mais do que os outros. Pois bem: um apag\u00e3o de mais de 30 minutos interrompeu o espet\u00e1culo, diante da incredulidade dos milhares de pessoas presentes no est\u00e1dio e dos incont\u00e1veis milh\u00f5es de espectadores na tev\u00ea. E como a m\u00eddia manipuladora que domina os nossos meios de informa\u00e7\u00e3o tratou desse assunto? Longe da virul\u00eancia com que cuida de epis\u00f3dios desse mesmo tipo no \u00e2mbito dom\u00e9stico, com duas ou tr\u00eas linhas desfocadas, e nada mais\u2026<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\">No Globoesporte.com, aparece um minicomunicado sobre o jogo com a manchete: \u201cEleito o MVP do Super Bowl, Joe Flacco \u00e9 presenteado com carr\u00e3o\u201d. No desenvolvimento dessa \u201cnot\u00edcia\u201d, o resultado do jogo, e nada mais. Nenhuma men\u00e7\u00e3o ao apag\u00e3o. No Jornal Nacional do dia seguinte, em mat\u00e9ria de cerca de dois minutos de louva\u00e7\u00e3o \u00e0 grandiosidade do evento, uma \u00fanica frase sobre o desligar das luzes para afirmar que, apesar do ocorrido, o \u201cbrilho da festa\u201d n\u00e3o fora atingido. Isso em alguns segundos apenas, bem menos que o tempo dispensado na mesma mat\u00e9ria ao consumo de anti\u00e1cidos, em consequ\u00eancia do jogo\u2026 No Globo, o colunista Ancelmo Gois, diante do epis\u00f3dio, pede calma ao pessoal, reconhecendo, agora, que os miniapag\u00f5es, mesmo os nossos, n\u00e3o merecem realce. E Patr\u00edcia Kogut, embora com men\u00e7\u00e3o ligeiramente cr\u00edtica ao ocorrido, n\u00e3o deixa de afirmar, por\u00e9m, que analistas disseram que \u201cisso deve at\u00e9 aumentar a audi\u00eancia, j\u00e1 que incendiou as redes sociais atraindo curiosos\u201d.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\">Esse tipo de jornalismo \u00e9 mesmo assim: quando interessa faz uma limonada deliciosa do mesmo lim\u00e3o que considera estragado em outras circunst\u00e2ncias\u2026 N\u00e3o que o fato em si tenha significado importante\u00a0&#8211; n\u00e3o tem nenhum, exatamente como os que \u00e0s vezes acontecem aqui -, mas \u00e9 interessante verificar o valor simb\u00f3lico dessa postura alienada, quando comparamos o estardalha\u00e7o que os abutres da comunica\u00e7\u00e3o costumam fazer diante de situa\u00e7\u00f5es similares em nosso pa\u00eds, chegando ao c\u00famulo, por baixa motiva\u00e7\u00e3o pol\u00edtica, de comparar esses fatos ao verdadeiro \u201capag\u00e3o\u201d que tomou de assalto os lares brasileiros no governo FHC. Isso para n\u00e3o falar das insinua\u00e7\u00f5es sobre como ser\u00e1 poss\u00edvel ousarmos sediar aqui eventos esportivos planet\u00e1rios que tendem a \u201cenvergonhar o pa\u00eds diante do mundo\u201d. Sou contra a Copa do Mundo no Brasil, mas nunca por essas raz\u00f5es pessimistas ou derrotistas, e sim pelo que propicia de aproveitamento por parte daqueles que sempre se colocam dispostos a neg\u00f3cios escusos.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\">Felizmente, uma parcela ponder\u00e1vel de brasileiros anda buscando a informa\u00e7\u00e3o (e a forma\u00e7\u00e3o) em outros meios que n\u00e3o o da grande imprensa. E percebendo que a felicidade do nosso povo n\u00e3o passa pela Avenida das Am\u00e9ricas, com seu \u201cDown Town\u201d, seu \u201cNew York Center\u201d (e sua est\u00e1tua da liberdade), seu com\u00e9rcio e seus condom\u00ednios repletos de palavras da l\u00edngua inglesa. Passa, sim, pela constru\u00e7\u00e3o de um pa\u00eds capaz de encontrar seu pr\u00f3prio destino, livre de press\u00f5es e de aliena\u00e7\u00f5es.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: right;\"><span style=\"color: #000000;\"><span style=\"text-decoration: underline;\">Publicado em<\/span>\u00a004.03.2013<\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Os coment\u00e1rios de Motta Lima para o &#8216;Direto da Reda\u00e7\u00e3o&#8217; chegaram na semana seguinte \u00e0 final do Futebol Americano. 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