{"id":3275,"date":"2016-01-22T18:50:38","date_gmt":"2016-01-22T22:50:38","guid":{"rendered":"http:\/\/aluzerna.com.br\/?p=3275"},"modified":"2016-01-27T09:08:20","modified_gmt":"2016-01-27T13:08:20","slug":"ao-longo-da-curva","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/aluzerna.com.br\/?p=3275","title":{"rendered":"Ao longo da curva"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-full wp-image-3277\" src=\"http:\/\/aluzerna.com.br\/wp-content\/uploads\/22-01-2016a.jpg\" alt=\"22-01-2016a\" width=\"400\" height=\"495\" srcset=\"https:\/\/aluzerna.com.br\/wp-content\/uploads\/22-01-2016a.jpg 400w, https:\/\/aluzerna.com.br\/wp-content\/uploads\/22-01-2016a-242x300.jpg 242w\" sizes=\"auto, (max-width: 400px) 100vw, 400px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\">\u201c(\u2026)<em> A curva tem uma mureta met\u00e1lica de prote\u00e7\u00e3o em sua margem externa. De dia, o guard rail mais parece o parapeito da janela onde se debru\u00e7a uma coxilha logo \u00e0 frente.<\/em><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em><span style=\"color: #000000;\">\u00c0 direita da ondula\u00e7\u00e3o do relevo, h\u00e1 uma \u00e1rea cultivada com ac\u00e1cias para florestamento destinado \u00e0 ind\u00fastria de celulose. Recobre o morro a caracter\u00edstica vegeta\u00e7\u00e3o rasteira do pampa, com herb\u00e1ceas variadas. Pouco \u00e0 esquerda, mais abaixo, sobrevive uma pequena planta\u00e7\u00e3o de milho.<\/span><\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em><span style=\"color: #000000;\">Da coxilha vultosa ao c\u00fabito da curva faz-se um vale. Em qualquer dos pontos mais altos &#8211; na margem da estrada, ou no topo do morro &#8211; percebe-se a profundidade que tem em sua base fileiras quase sim\u00e9tricas formadas por um arbusto nativo chamado popularmente de vassoura.<\/span><\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em><span style=\"color: #000000;\">O sol valoriza todas as cores do Para\u00edso. E torna at\u00e9 agrad\u00e1vel o acesso da rodovia estadual em curva \u00e0 direita inclinada at\u00e9 a federal. S\u00e3o nuances de todos os verdes misturados ao dourado da palha do milho e \u00e0s singelas gotas de vermelho e amarelo das flores do campo adornando os arbustos.<\/span><\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\"><em>Mas \u00e0 noite a paleta de pintura confunde todas as tintas, que pela aus\u00eancia de cores oferecem o preto como resultado. A coxilha desabitada une-se ao c\u00e9u, que se compacta ao vale, e abra\u00e7a a mata nativa, a planta\u00e7\u00e3o e as \u00e1rvores ex\u00f3ticas. O inspirado quadro transforma-se em um pared\u00e3o uniforme t\u00e3o negro quanto a pr\u00f3pria escurid\u00e3o.<\/em> (\u2026)\u201d<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\">(Trecho do cap\u00edtulo 3 &#8211; \u201cCurva\u201d)<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\">. . .<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"text-decoration: underline;\"><strong><em><span style=\"color: #000000; text-decoration: underline;\">Por que acabar?<\/span><\/em><\/strong><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\">Os dez0 mais. Conquistas nacionais e internacionais. A saga. Imortalidade. Guia das Copas. As melhores sele\u00e7\u00f5es de todos os tempos. A virada inesquec\u00edvel. Cl\u00e1ssicos. Enciclop\u00e9dias. Contos. Biografia. Centen\u00e1rios. Concep\u00e7\u00e3o sociol\u00f3gica. Campeonatos. Escudos\/distintivos! Ufa, n\u00e3o s\u00e3o poucos os g\u00eaneros e t\u00f3picos desenvolvidos no universo esportivo impresso, e apesar da quantidade enumerada &#8211; inclusive os temas que n\u00e3o foram citados -, no Brasil \u00e9 um mercado em desenvolvimento.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\">Por falar em Brasil, o verde e amarelo, e em livros, um outro Brasil teve um peda\u00e7o da sua hist\u00f3ria registrada no prelo por dois jornalistas, um que tamb\u00e9m \u00e9 fot\u00f3grafo. Este, o Nauro J\u00fanior, e Eduardo Cecconi, trouxeram um recorte pouco usual para o incipiente, em n\u00famero de t\u00edtulos e levando-se em considera\u00e7\u00e3o a paix\u00e3o nacional, mercado das prateleiras esportivas liter\u00e1rias.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\">O Brasil de Pelotas, clube do interior do Rio Grande do Sul, escrito em loas numa perspectiva historiogr\u00e1fica? Hummm, sim, ali no pref\u00e1cio, assinado por Aldyr Schlee, escritor e jornalista, desenhista que concebeu em 1953 a camisa canarinha &#8211; a pr\u00f3pria, a da Sele\u00e7\u00e3o Brasileira &#8211; mais extenso rol de predicados. Nestas 4 p\u00e1ginas, em frente e verso, lembra em vis\u00e3o panor\u00e2mica o Gr\u00eamio Esportivo Brasil, primeiro campe\u00e3o ga\u00facho, em 1919, sobre o Gr\u00eamio, em Porto Alegre\u2026 Ali\u00e1s, a mesma capital que na d\u00e9cada de 40 viu o rubro-negro derrotar o \u201crolo compressor\u201d do Internacional, fase que pela alcunha d\u00e1 para perceber o que o Colorado andava aprontando nas quatro linhas dos pampas. O terceiro lugar no Campeonato Brasileiro de 1985, n\u00e3o esqueceu do Felip\u00e3o e das conquistas da d\u00e9cada de 2000, modestas mas festejadas. Schlee d\u00e1 a dica para pesquisar sobre o Brasil, e para os entusiastas do futebol e da hist\u00f3ria, se ligar na import\u00e2ncia do interior\u2026 do Brasil. Para n\u00e3o ficar lac\u00f4nico, dos Brasis!<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\">Das cita\u00e7\u00f5es cheias de mem\u00f3ria e sentimento do \u201cdono\u201d da Amarelinha, Nauro e Cecconi pegam o bast\u00e3o exatamente no momento atual do clube pelotense, ali pelo t\u00edtulo da Segunda Divis\u00e3o ga\u00facha em 2004, \u00e9poca na qual come\u00e7ava a tomar corpo o nome Claudio Milar, artilheiro do certame. Outra men\u00e7\u00e3o que posso fazer \u00e9 que foi durante a gest\u00e3o do Helder Lopes, presidente do time, entre 2007 e 2009. Mas se os grandes feitos haviam acontecido h\u00e1 tempos, por que citar uma\u00a0segundona, vice-campeonatos e a quase classifica\u00e7\u00e3o para a S\u00e9rie B, em 2008? Ao longo da curva\u2026<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\">Desde 1911 h\u00e1 bastante hist\u00f3ria para contar, mas a BR-392 pautou a dupla de jornalistas ao falar sobre o Xavante, autores de \u201cA noite que n\u00e3o acabou\u201d (Editora Livraria Mundial). A tribo xavante, acolhida como s\u00edmbolo num duelo com o arquirrival Pelotas em 1946, por causa da vit\u00f3ria heroica do rubro-negro no Campeonato Citadino &#8211; uma virada de 3 a 1 para 5 a 3! -, a consequente depreda\u00e7\u00e3o \u201cde alegria\u201d ap\u00f3s o apito final, e um filme em exibi\u00e7\u00e3o na cidade &#8211; A Invas\u00e3o dos Xavantes -, foi flechada numa curva que nem o guard rail teve for\u00e7as para defend\u00ea-la.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\">Na internet e nas r\u00e1dios j\u00e1 era not\u00edcia, mas o Brasil-Pa\u00eds acordou sabendo que ap\u00f3s um jogo amistoso preparat\u00f3rio para a S\u00e9rie A do Gauch\u00e3o, um time sofreu acidente, houve mortes, v\u00e1rios feridos\u2026<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\">Do dia 15 para o 16 de janeiro de 2009, o \u00f4nibus que conduzia a delega\u00e7\u00e3o do Brasil de Pelotas voltava do munic\u00edpio de Vale do Sol ap\u00f3s um jogo-treino com o Santa Cruz, de Santa Cruz do Sul, quando trilhou o caminho oposto da faixa e rumou para um precip\u00edcio, coxilha para os gaud\u00e9rios, conforme a descri\u00e7\u00e3o do excerto acima, do cap\u00edtulo 3 do livro. A beleza anotada pelos autores em \u201cCurva\u201d n\u00e3o foi suficiente para inibir, em meio ao escuro noturno, o cen\u00e1rio menos desejado pelos condutores e passageiros das rodovias: o acidente!<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\">O saldo de tr\u00eas\u00a0mortes e 28 sobreviventes-feridos espalhou-se pelo pa\u00eds atrav\u00e9s, principalmente, dos notici\u00e1rios esportivos, embora a como\u00e7\u00e3o n\u00e3o tenha ficado restrita aos futebolistas. Em n\u00edvel di\u00e1rio, infelizmente s\u00e3o in\u00fameras as v\u00edtimas no tr\u00e2nsito brasileiro, mundial idem, s\u00f3 que a liga\u00e7\u00e3o com uma marca fantasia que lida com a paix\u00e3o, no Pa\u00eds do Futebol, ganha diferen\u00e7a de outros passageiros que trafegam pelas estradas nacionais. Trabalhadores que s\u00e3o, os atletas da noite que n\u00e3o acaba, \u00e9 bem verdade, ganharam mais recep\u00e7\u00e3o que um caminh\u00e3o cuja carroceria pudesse estar cheia de boias-frias, tamb\u00e9m trabalhadores. Pe\u00e7as do sistema. Como o Torino, da It\u00e1lia, em 1949, tido o clube vitorioso daquele momento, que pereceu em desastre a\u00e9reo, ou o Manchester United de 1958, etc.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-full wp-image-3278\" src=\"http:\/\/aluzerna.com.br\/wp-content\/uploads\/22-01-2016b.jpg\" alt=\"22-01-2016b\" width=\"450\" height=\"337\" srcset=\"https:\/\/aluzerna.com.br\/wp-content\/uploads\/22-01-2016b.jpg 450w, https:\/\/aluzerna.com.br\/wp-content\/uploads\/22-01-2016b-300x225.jpg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 450px) 100vw, 450px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\">O desn\u00edvel e a compara\u00e7\u00e3o for\u00e7ada entre trag\u00e9dias vem para revelar que, mesmo que fosse de um clube milion\u00e1rio, s\u00e3o pessoas normais e o fat\u00eddico trata de nivel\u00e1-las. Se milh\u00f5es de d\u00f3lares estivessem em jogo, a falibilidade da vida seria a mesma. Ou o que dizer sobre voltar a jogar 19 dias depois, isentos de condi\u00e7\u00f5es psicol\u00f3gicas e f\u00edsicas para 90 minutos e a ansiedade de uma torcida fan\u00e1tica? Recrutar tantos outros jogadores com a grana curta, qualidade question\u00e1vel e em cima da hora? A cruz e a espada do capital, ou como cantou Ney Matogrosso a letra de Antonio Barros: &#8220;se correr o bicho pega, se ficar o bicho come&#8221;!<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\">Na estrada do futebol e das cifras, o Brasil, que \u201cprecisaria pagar as contas\u201d, fez valer o \u00edmpeto ind\u00edgena, guerreiro, e encarou um filme que, tradicionalmente, a invas\u00e3o dos xavantes perderia novamente. Ao final, o rebaixamento telegrafado traduziu-se em uma vit\u00f3ria t\u00e9cnica apenas &#8211; na \u00faltima partida -, mas uma goleada de garra e a cria\u00e7\u00e3o da aura de verdadeiro imortal. Como os xavantes originais, ca\u00e7ados pela expans\u00e3o comercial, os xavantes da regi\u00e3o sul do Rio Grande do Sul sentiram o peso das engrenagens, por\u00e9m, a aura &#8211; ela de novo &#8211; n\u00e3o tem consist\u00eancia f\u00edsica. N\u00e3o morre. E n\u00e3o seria numa noite, sob os efeitos de uma curva mal sinalizada e contornada pela imper\u00edcia, imprud\u00eancia ou neglig\u00eancia, que iria acabar. Por que haveria de acabar?<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\">Em linguagem inspirada pelo Jornalismo Liter\u00e1rio, como o pr\u00f3prio Cecconi admite e o leitor atento pode constatar, o tema pouco usual para sair do prelo para as m\u00e3os dos leitores perdeu a gordura do infort\u00fanio. Feitos por quatro m\u00e3os h\u00e1beis no assunto, os oito\u00a0cap\u00edtulos transformam o negativo em aprendizado, as dores como cartilhas da vida, pano de fundo para a realidade que nem o argumento nocivo do \u201cesses caras ganham milh\u00f5es pra jogar bola\u201d faz sentido. O cotidiano registrado em 44 fotografias, em \u00f3tima impress\u00e3o, contribuem com a transposi\u00e7\u00e3o do l\u00fadico do esporte bret\u00e3o, composto por pessoas de carne e osso, para\u00a0o flerte deste com o tr\u00e1gico. Os autores usam a malfadada curva para expor rela\u00e7\u00f5es pessoais, desde as familiares, passando pelas midi\u00e1ticas, futebol\u00edsticas, e culminando com o que move o circuito boleiro: a torcida.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\">Este livro-reportagem sublima o sintoma da morte ou o interesse ligado aos f\u00e3s do futebol, passa longe de uma transcri\u00e7\u00e3o de obitu\u00e1rio ou laudo de necr\u00f3psia sensacionalistas. Se esprem\u00ea-lo, o que n\u00e3o sair\u00e1 \u00e9 sangue, e sim uma hist\u00f3ria de carinho ao pr\u00f3ximo, ainda que o carinho, na velha sociedade competitiva, possa ser medido em 15 mil pagantes na primeira partida e terminar em 200 e poucos. Possa ser insuficiente para uma doente cegueira futebol\u00edstica, onde o rival zomba do flagelo do \u201cinimigo\u201d e de si mesmo, quando n\u00e3o o fere com porretes e armas de fogo. Mas pode tamb\u00e9m conquistar novos admiradores. Ajudar a entender a Hist\u00f3ria. Golear a ignor\u00e2ncia ao n\u00e3o escalonar os trabalhos por import\u00e2ncia de\u00a0rendimentos, ao inverter ou expandir o significado da vit\u00f3ria e da derrota. Ao comprovar que h\u00e1 muita coisa al\u00e9m da curva.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\">. . .<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\">O Lado D manteve contato com um dos autores, Eduardo Cecconi, e falou sobre o livro, os blogs que prepararam o terreno para a vers\u00e3o impressa deste tributo ao futebol do interior &#8211; e um posterior -, e naturalmente, Jornalismo, incluindo o Online e o Esportivo (em vers\u00e3o online tamb\u00e9m). A percep\u00e7\u00e3o da fatalidade segue na trilha cantada e escrita de Raul Seixas: \u201cMorte, morte, morte que talvez seja o segredo desta vida\u201d!<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\">&gt; &gt; &gt;<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\"><strong><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-full wp-image-3445\" src=\"http:\/\/aluzerna.com.br\/wp-content\/uploads\/A_Luzerna_Falas.gif\" alt=\"A_Luzerna_Falas\" width=\"13\" height=\"13\" \/>\u00a0Lado D dos Esportes<\/strong>\u00a0<em>Ol\u00e1, Eduardo, prazer em falar contigo! O seu trabalho no jornalismo traz grande proximidade da tem\u00e1tica esportiva, na qual utiliza v\u00e1rios formatos de condu\u00e7\u00e3o da informa\u00e7\u00e3o (livro, internet, r\u00e1dio, jornal, etc.). De que forma voc\u00ea concilia todas estas linguagens? O esporte &#8211; ou apenas a modalidade Futebol? &#8211; foi algo espont\u00e2neo e ser\u00e1 prioridade nos seus textos e coment\u00e1rios?<\/em><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\"><strong><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-full wp-image-3445\" src=\"http:\/\/aluzerna.com.br\/wp-content\/uploads\/A_Luzerna_Falas.gif\" alt=\"A_Luzerna_Falas\" width=\"13\" height=\"13\" \/>\u00a0Eduardo Cecconi<\/strong> N\u00e3o vejo dificuldade em se conciliar todas estas linguagens a partir do momento em que o jornalista tem familiaridade com as t\u00e9cnicas mais b\u00e1sicas, mais fundamentais, da emiss\u00e3o de uma mensagem.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\">Sabendo se expressar conforme a t\u00e9cnica que cada m\u00eddia exige, o jornalista precisa entrar de cabe\u00e7a na elabora\u00e7\u00e3o do conte\u00fado. Vestir a camisa, transformar-se em um personagem.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\">Para escrever o livro, eu realmente me senti um escritor. Busquei um estilo de texto voltado ao Jornalismo Liter\u00e1rio, com maior licen\u00e7a para lidar com os fatos de maneira liter\u00e1ria.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\">Na internet, \u00e9 o contr\u00e1rio. Mat\u00e9rias t\u00eam textos curtos, narrativa objetiva, clareza. Nos blogs abre-se espa\u00e7o para a opini\u00e3o, que sempre procuro fazer com embasamento, com alguma fundamenta\u00e7\u00e3o te\u00f3rica.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\">O conte\u00fado hoje para mim \u00e9 esportivo, mas j\u00e1 fui correspondente do jornal Zero Hora no interior por quatro anos, escrevendo para todas as editorias e cadernos, desde Pol\u00edcia, passando por Ambiente, Campo e Lavoura, Pol\u00edtica, Economia, Comportamento, Variedades\u2026<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\">E a premissa \u00e9 a mesma. Para mim o jornalista precisa se adaptar \u00e0 exig\u00eancia da editoria para qual produz conte\u00fado. Se for Esporte, tem que vestir a camisa de jornalista esportivo, se adaptar \u00e0 linguagem, \u00e0 abordagem, aos termos comuns. E assim para qualquer editoria.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\">Enfim, o jornalista tem que ser meio ator, saber interpretar, saber se adaptar a cada papel que lhe exigem &#8211; seja escrevendo para m\u00eddia online, convencional, produzindo livros, falando no r\u00e1dio, aparecendo na TV\u2026 lidando com Esporte, Pol\u00edtica, Economia\u2026 partir do dom\u00ednio da t\u00e9cnica para a aplica\u00e7\u00e3o das particularidades de cada \u00e1rea.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\"><strong><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-full wp-image-3445\" src=\"http:\/\/aluzerna.com.br\/wp-content\/uploads\/A_Luzerna_Falas.gif\" alt=\"A_Luzerna_Falas\" width=\"13\" height=\"13\" \/>\u00a0LDE<\/strong>\u00a0<em>Certamente, n\u00e3o h\u00e1 dificuldade para assimilar e desenvolv\u00ea-las, mas \u00e9 percept\u00edvel a oposi\u00e7\u00e3o espont\u00e2nea, quase sempre comodista, de grande parte dos profissionais e estudantes, no caso, de Comunica\u00e7\u00e3o\u2026 Cecconi, falando sobre uma primeira delas, a do Jornalismo Online, como foi a experi\u00eancia com os blogs \u201cCidade Futebol\u201d e o \u201cEntrevero\u201d? Pode falar tamb\u00e9m sobre o novo projeto, o \u201cPrele\u00e7\u00e3o\u201d!<\/em><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\"><strong><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-full wp-image-3445\" src=\"http:\/\/aluzerna.com.br\/wp-content\/uploads\/A_Luzerna_Falas.gif\" alt=\"A_Luzerna_Falas\" width=\"13\" height=\"13\" \/>\u00a0EC<\/strong>\u00a0A cria\u00e7\u00e3o de blogs no clicEsportes parte muito da iniciativa pessoal dos redatores do site, ou de rep\u00f3rteres de outras m\u00eddias da empresa. Mas, quando eu era correspondente da ZH em Pelotas, n\u00e3o sabia desta possibilidade. E criei um blog para falar sobre o futebol pelotense, \u00e0 \u00e9poca no Blogspot.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\">Os editores do clicEsportes &#8211; Andr\u00e9 Roca e Leonardo Corr\u00eaa &#8211; viram o blog, gostaram, e propuseram uma migra\u00e7\u00e3o para o site. Nascia o &#8220;Cidade Futebol&#8221;, que levou este nome pela caracter\u00edstica dos torcedores de Brasil, Pelotas e Farroupilha.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\">O blog marcou \u00e9poca na cidade. Ele nasceu no segundo semestre de 2006. A imprensa local n\u00e3o contava com sites ou outros blogs. Em um ano, o Cidade Futebol bateu de primeira v\u00e1rios furos jornal\u00edsticos, chegou a 40 mil acessos mensais, e conquistou um p\u00fablico fiel &#8211; principalmente de jovens torcedores ligados ao Xavante.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\">Em 2008, fui convidado para tocar o \u201cGauch\u00e3o Total\u201d &#8211; um projeto multim\u00eddia &#8211; ainda como correspondente da ZH em Pelotas. O Gauch\u00e3o Total era um blog sobre o futebol do interior, que contava ainda com uma coluna semanal na Zero Hora. Mas era sazonal, e ap\u00f3s o final do Gauch\u00e3o daquele ano, ele foi encerrado.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\">Ainda em 2008, em fevereiro, eu me transferi para a reda\u00e7\u00e3o do &#8220;clicEsportes&#8221; em Porto Alegre, e pelo distanciamento &#8211; que dificultava a busca por informa\u00e7\u00f5es e furos, e tamb\u00e9m impedia a an\u00e1lise de jogos in loco &#8211; aos poucos tive de encerrar tamb\u00e9m o Cidade Futebol. Foi bem triste, porque eu tinha me afei\u00e7oado a toda aquela comunidade. Quando \u201cfechei\u201d o blog, j\u00e1 pipocavam na imprensa local outros tantos blogs e sites de radialistas, motivados pelo pioneirismo do Cidade Futebol. E estes colegas fazem um bel\u00edssimo trabalho de informa\u00e7\u00e3o e opini\u00e3o l\u00e1 em Pelotas, usando a Internet.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\">Para compensar, criei o blog &#8220;<span style=\"text-decoration: underline;\"><span style=\"color: #ff0000;\"><a style=\"color: #ff0000; text-decoration: underline;\" href=\"http:\/\/wp.clicrbs.com.br\/entrevero\/?topo=13,1,1,,10,13\" target=\"_blank\">Entrevero<\/a><\/span><\/span>&#8221; &#8211; uma esp\u00e9cie de Gauch\u00e3o Total sem a sazonalidade. Cobertura de todos os campeonatos que envolvem clubes do interior do Estado. Formou-se uma rede de colaboradores volunt\u00e1rios (assessores de imprensa dos clubes, radialistas e jornalistas de v\u00e1rias cidades, torcedores, estudantes de Jornalismo) que me enviavam informa\u00e7\u00f5es sobre os times locais. E assim o Entrevero cresceu muito.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\">Mas fui fixado pelo clicEsportes como setorista de Inter, e vivi o mesmo dilema do Cidade Futebol: um distanciamento que come\u00e7ava a comprometer a qualidade e a pontualidade dos conte\u00fados. Para evitar seu encerramento, convidei o Guilherme Mazui para assumir o comando, e ele est\u00e1 fazendo um trabalho de alt\u00edssimo n\u00edvel.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\">O blog &#8220;<span style=\"text-decoration: underline; color: #ff0000;\"><a style=\"color: #ff0000; text-decoration: underline;\" href=\"http:\/\/wp.clicrbs.com.br\/prelecao\/?topo=13,1,1,,10,13\" target=\"_blank\">Prele\u00e7\u00e3o<\/a><\/span>&#8221; nasceu da minha predile\u00e7\u00e3o por an\u00e1lises t\u00e1ticas. A ideia \u00e9 criar um f\u00f3rum de debates sobre teoria t\u00e1tica. Fiz curso de t\u00e9cnico de futebol, e procuro sempre nos textos e diagramas abdicar da simples opini\u00e3o, para focar na an\u00e1lise criteriosa, nos argumentos, na aplica\u00e7\u00e3o da teoria na pr\u00e1tica. Apesar do p\u00fablico de futebol estar mais acostumado a opini\u00f5es pol\u00eamicas, a audi\u00eancia est\u00e1 boa, e tamb\u00e9m se formou uma comunidade de debatedores em alto n\u00edvel.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-full wp-image-3279\" src=\"http:\/\/aluzerna.com.br\/wp-content\/uploads\/22-01-2016c.jpg\" alt=\"22-01-2016c\" width=\"400\" height=\"300\" srcset=\"https:\/\/aluzerna.com.br\/wp-content\/uploads\/22-01-2016c.jpg 400w, https:\/\/aluzerna.com.br\/wp-content\/uploads\/22-01-2016c-300x225.jpg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 400px) 100vw, 400px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\"><strong><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-full wp-image-3445\" src=\"http:\/\/aluzerna.com.br\/wp-content\/uploads\/A_Luzerna_Falas.gif\" alt=\"A_Luzerna_Falas\" width=\"13\" height=\"13\" \/>\u00a0LDE<\/strong>\u00a0<em>Ih, saiu da \u201ccomunidade\u201d em Pelotas, passou com o Entrevero para o Estado, agora \u00e9 estrategista, vai assumir um dos times do interior. Logo, logo, vai ser \u201cprofessor\u201d\u2026 Quando voc\u00ea cita que em 2006 o Cidade Futebol teve certo pioneirismo no ciberespa\u00e7o, e depois constata a profus\u00e3o de sites, no seu nicho a partir de 2008, como observa a facilidade em criar um espa\u00e7o na internet, jornalista ou n\u00e3o? Encara como reserva de mercado ou acha salutar para a editoria &#8211; que pode descobrir novos talentos, outras perspectivas de discurso?<\/em><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\"><strong><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-full wp-image-3445\" src=\"http:\/\/aluzerna.com.br\/wp-content\/uploads\/A_Luzerna_Falas.gif\" alt=\"A_Luzerna_Falas\" width=\"13\" height=\"13\" \/>\u00a0EC<\/strong>\u00a0O pessoal brinca bastante com a possibilidade de eu me tornar t\u00e9cnico, mas realmente fiz o curso e procuro me manter atualizado com leituras e pesquisas sobre teoria para embasar minhas an\u00e1lises. A inten\u00e7\u00e3o \u00e9 qualificar o discurso e fugir da simples opini\u00e3o, do achismo, para buscar justiticativas mais espec\u00edficas sobre teoria t\u00e1tica.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\">Sobre a dissemina\u00e7\u00e3o de espa\u00e7os alternativos \u00e0 grande m\u00eddia na internet, muitas vezes comandados por pessoas que n\u00e3o s\u00e3o jornalistas, eu n\u00e3o tenho ressalvas. Pelo contr\u00e1rio, por serem sites ligados \u00e0s comunidades locais, eles servem com excelente fonte de consulta para espa\u00e7os como o Entrevero.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\">Muitos clubes do interior n\u00e3o t\u00eam estrutura para contar com assessoria de imprensa, as r\u00e1dios \u00e0s vezes n\u00e3o t\u00eam sites com bom streaming ao vivo\u2026 cen\u00e1rio que faz destes sites a fonte de informa\u00e7\u00e3o mais pr\u00f3xima do clube. Analisando-se o conte\u00fado, se tiver credibilidade e qualidade, sa\u00fado estas iniciativas.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\"><strong><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-full wp-image-3445\" src=\"http:\/\/aluzerna.com.br\/wp-content\/uploads\/A_Luzerna_Falas.gif\" alt=\"A_Luzerna_Falas\" width=\"13\" height=\"13\" \/>\u00a0LDE<\/strong>\u00a0<em>Queria saber da sua pr\u00e1tica em r\u00e1dio, jornal, e possivelmente em tv. Comparada com estes, a internet, por motivos \u00f3bvios de hipertexto, intera\u00e7\u00e3o e multim\u00eddia, \u00e9 decisiva na \u201cdemocratiza\u00e7\u00e3o\u201d da informa\u00e7\u00e3o dos clubes e modalidades, de forma a despertar, finalmente, a aten\u00e7\u00e3o das empresas de comunica\u00e7\u00e3o metropolitanas, ou permanece o car\u00e1ter microrregional e estanque capital-interior?<\/em><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\"><strong><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-full wp-image-3445\" src=\"http:\/\/aluzerna.com.br\/wp-content\/uploads\/A_Luzerna_Falas.gif\" alt=\"A_Luzerna_Falas\" width=\"13\" height=\"13\" \/>\u00a0EC<\/strong>\u00a0Trabalhei em jornal e r\u00e1dio, e tamb\u00e9m em assessorias, muitas vezes em fun\u00e7\u00f5es n\u00e3o relacionadas \u00e0 editoria de Esportes. Nas capitais, eu noto uma indiferen\u00e7a com o futebol do interior. Concordo que a internet abra espa\u00e7o para que estes clubes menores, mas de grandes e tradicionais torcidas, apare\u00e7am em fontes consagradas de informa\u00e7\u00e3o.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\">Com o Entrevero, hoje \u00e9 poss\u00edvel vermos o Guarany de Camaqu\u00e3, o Tr\u00eas Passos ou o Lajeadense recebendo destaque em chamadas de capa de um site com a for\u00e7a e a audi\u00eancia do clicEsportes. Isso n\u00e3o tem pre\u00e7o para o futebol do interior.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\">Por isso os torcedores abra\u00e7aram o blog (foi assim tamb\u00e9m com o Cidade Futebol e com o Gauch\u00e3o Total). Eles gostam de se ver, de ver seus clubes, sendo valorizados em um portal que centraliza no Brasil a cobertura &#8211; e a audi\u00eancia, logicamente &#8211; de Gr\u00eamio e Inter. \u00c9 muito legal ver estes torcedores se mobilizando para trazer mais gente ao blog, para movimentar os coment\u00e1rios\u2026 \u00e9 um esfor\u00e7o para mostrar a n\u00f3s que vale a pena manter o blog, que vale a pena lutar pelos clubes do interior, que vale a pena ter espa\u00e7o tamb\u00e9m para os \u201cpequenos\u201d &#8211; que na verdade s\u00e3o grandes e tradicionais &#8211; na grande m\u00eddia.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\"><strong><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-full wp-image-3445\" src=\"http:\/\/aluzerna.com.br\/wp-content\/uploads\/A_Luzerna_Falas.gif\" alt=\"A_Luzerna_Falas\" width=\"13\" height=\"13\" \/>\u00a0LDE<\/strong>\u00a0<em>Ap\u00f3s todas estas vis\u00f5es sobre Comunica\u00e7\u00e3o, no que aproveito para ir l\u00e1 no livro e reproduzir a sua influ\u00eancia por Gay Talese e Truman Capote, quais as virtudes e os entraves para desenvolver o Jornalismo Esportivo? O que ele pode ter de \u201csocial\u201d em meio a tantos neg\u00f3cios?<\/em><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\"><strong><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-full wp-image-3445\" src=\"http:\/\/aluzerna.com.br\/wp-content\/uploads\/A_Luzerna_Falas.gif\" alt=\"A_Luzerna_Falas\" width=\"13\" height=\"13\" \/>\u00a0EC<\/strong>\u00a0\u00c9 bem complicado lidar com alguns princ\u00edpios norteadores da boa produ\u00e7\u00e3o jornal\u00edstica no ambiente esportivo. O conte\u00fado de futebol envolve e provoca sentimentos muito ruins em algumas pessoas, a prova est\u00e1 no grande n\u00famero de mensagens impublic\u00e1veis que se recebe nos meios de interatividade. O maior bem social que se pode fazer em uma editoria que n\u00e3o parece ter outra fun\u00e7\u00e3o que n\u00e3o o entretenimento, no primeiro momento, \u00e9 ser respons\u00e1vel. Escrever sempre com a responsabilidade necess\u00e1ria para n\u00e3o instigar mais sentimentos ruins, mais manifesta\u00e7\u00f5es agressivas. Do contr\u00e1rio, para aplacar este af\u00e3 belicoso. \u00c9 por isso que no blog Prele\u00e7\u00e3o eu falo apenas de teoria t\u00e1tica, sem dar opini\u00e3o. Porque a opini\u00e3o \u00e0s vezes \u00e9 encarada de maneira ofensiva por quem n\u00e3o concorda. E com teoria o debate fica mais agrad\u00e1vel.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\"><strong><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-full wp-image-3445\" src=\"http:\/\/aluzerna.com.br\/wp-content\/uploads\/A_Luzerna_Falas.gif\" alt=\"A_Luzerna_Falas\" width=\"13\" height=\"13\" \/>\u00a0LDE<\/strong>\u00a0<em>Pelo visto voc\u00ea n\u00e3o perdeu ou perder\u00e1 o contato com o futebol interiorano\u2026 Com tamanho interesse em desenvolver o espa\u00e7o destes clubes para al\u00e9m-fronteiras atrav\u00e9s de informa\u00e7\u00f5es \u201cnormais\u201d, \u201cA noite que n\u00e3o acabou\u201d certamente exigiu outra perspectiva de constru\u00e7\u00e3o, j\u00e1 que lida com o infort\u00fanio. Como foi o seu primeiro contato com a not\u00edcia do acidente e de que maneira houve a possibilidade de estrear no universo dos livros com a tem\u00e1tica da perda?<\/em><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\"><strong><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-full wp-image-3445\" src=\"http:\/\/aluzerna.com.br\/wp-content\/uploads\/A_Luzerna_Falas.gif\" alt=\"A_Luzerna_Falas\" width=\"13\" height=\"13\" \/>\u00a0EC<\/strong>\u00a0Certamente meu v\u00ednculo com o futebol do interior \u00e9 eterno. Estou sempre acompanhando e torcendo pelas comunidades tradicionais do futebol ga\u00facho.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\">Sobre o livro, foi muito dif\u00edcil reconhecer o sofrimento de tantos amigos xavantes, e ainda mais dif\u00edcil ver a morte de um grande amigo &#8211; pois assim eu considerava Milar. Ele era para mim um \u00eddolo e um amigo, na mesma medida. A iniciativa partiu do Nauro J\u00fanior, que me convidou para escrever, enquanto ele faria o planejamento, a produ\u00e7\u00e3o, a parte gr\u00e1fica, e participaria com alguns textos. E eu s\u00f3 aceitei participar do projeto porque sabia que, do Nauro, n\u00e3o partiria nenhuma inten\u00e7\u00e3o sensacionalista. Conversamos e entramos em acordo: vamos fazer jornalismo, sem explorar a dor que n\u00f3s sentimos, mas principalmente a dor que uma na\u00e7\u00e3o sentiu. Novamente, a\u00ed entra a responsabilidade.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\"><strong><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-full wp-image-3445\" src=\"http:\/\/aluzerna.com.br\/wp-content\/uploads\/A_Luzerna_Falas.gif\" alt=\"A_Luzerna_Falas\" width=\"13\" height=\"13\" \/>\u00a0LDE<\/strong>\u00a0<em>Na introdu\u00e7\u00e3o, voc\u00eas anotam que o conte\u00fado da obra ganhou forma a quatro m\u00e3os &#8211; oito cap\u00edtulos, dois para um, seis para o outro -, sendo que o Nauro J\u00fanior \u00e9 co-autor e respons\u00e1vel pela parte fotogr\u00e1fica e dos dois citados. Qual a din\u00e2mica para juntar tantos dados de atletas e comiss\u00e3o t\u00e9cnica, familiares, jornalistas da cidade, infra-estrutura de resgate ante o acidente &#8211; vizinhos do local, corpo m\u00e9dico, delegacia, etc.?<\/em><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\"><strong><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-full wp-image-3445\" src=\"http:\/\/aluzerna.com.br\/wp-content\/uploads\/A_Luzerna_Falas.gif\" alt=\"A_Luzerna_Falas\" width=\"13\" height=\"13\" \/>\u00a0EC<\/strong>\u00a0Foram seis meses de produ\u00e7\u00e3o, que inclu\u00edram entrevistas com mais de 100 pessoas, seja pessoalmente, por telefone ou MSN. A cada entrevista tom\u00e1vamos conhecimentos de outros personagens, formando um emaranhado de fios cujas liga\u00e7\u00f5es eram dif\u00edceis de se encontrar. Em um processo como este, com tantos personagens e narradores paralelos, tivemos de fazer escolhas na hora de confrontar vers\u00f5es. Sobre o texto, eu centralizei a formata\u00e7\u00e3o para que o estilo se mantivesse, reunindo o material que o Nauro me enviou &#8211; o primeiro e o \u00faltimo cap\u00edtulo &#8211; sem desestrutur\u00e1-lo, mas pintando com algumas cores da escrita utilizada nos outros seis cap\u00edtulos. Assim pudemos construir uma narrativa sem quebra de estilo.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\"><strong><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-full wp-image-3445\" src=\"http:\/\/aluzerna.com.br\/wp-content\/uploads\/A_Luzerna_Falas.gif\" alt=\"A_Luzerna_Falas\" width=\"13\" height=\"13\" \/>\u00a0LDE<\/strong>\u00a0<em>E a inclus\u00e3o do pref\u00e1cio do Aldyr Schlee, que import\u00e2ncia agregou ao livro?<\/em><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\"><strong><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-full wp-image-3445\" src=\"http:\/\/aluzerna.com.br\/wp-content\/uploads\/A_Luzerna_Falas.gif\" alt=\"A_Luzerna_Falas\" width=\"13\" height=\"13\" \/>\u00a0EC<\/strong>\u00a0Foi a maior import\u00e2ncia poss\u00edvel. Schlee \u00e9 amigo do Nauro h\u00e1 muitos anos. Ele foi nosso mentor na escrita. Como um orientador para formandos. Ele nos apontou caminhos, como grande escritor que \u00e9, na costura da linha de racioc\u00ednio que apresentamos na ordem dos cap\u00edtulos. Deu dicas de escrita, de planejamento. \u00c9 uma pessoa fenomenal. Oferecer a ele o pref\u00e1cio foi uma maneira de agradecer pelo carinho e pelo envolvimento de uma pessoa t\u00e3o consagrada em um projeto de estreantes. Ele se emocionou, n\u00f3s nos emocionamos, e o resultado foi uma obra-prima da paix\u00e3o xavante, escrita por um xavante, para a na\u00e7\u00e3o rubro-negra.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\"><strong><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-full wp-image-3445\" src=\"http:\/\/aluzerna.com.br\/wp-content\/uploads\/A_Luzerna_Falas.gif\" alt=\"A_Luzerna_Falas\" width=\"13\" height=\"13\" \/>\u00a0LDE<\/strong>\u00a0<em>A palavra \u201crepercuss\u00e3o\u201d \u00e9 imprescind\u00edvel no que tange ao acidente, pois a como\u00e7\u00e3o e a mobiliza\u00e7\u00e3o em prol do Brasil teve enormes propor\u00e7\u00f5es, por motivos \u00f3bvios. O pr\u00f3prio registro liter\u00e1rio de voc\u00eas tamb\u00e9m experimentou este cen\u00e1rio, quando 8, 9 meses ap\u00f3s a trag\u00e9dia, na fase de lan\u00e7amento, os exemplares foram esgotados\u2026 As passagens do p\u00fablico em Pelotas acolhendo o time \u00e9 arrepiante &#8211; um dos grandes momentos da obra.<\/em><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\"><strong><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-full wp-image-3445\" src=\"http:\/\/aluzerna.com.br\/wp-content\/uploads\/A_Luzerna_Falas.gif\" alt=\"A_Luzerna_Falas\" width=\"13\" height=\"13\" \/>\u00a0EC<\/strong>\u00a0Eu tive muito medo da repercuss\u00e3o. Por mais que Nauro e eu tiv\u00e9ssemos acordado em n\u00e3o explorar de maneira nenhuma a trag\u00e9dia com sensacionalismo, a pr\u00f3pria iniciativa poderia ser mau vista. A todos que nos procuravam eu dizia: \u201cEsperem o resultado, n\u00e3o elogiem nem critiquem agora. Vejam depois, e quero muito ouvir de todos o que acharam\u201d. Gra\u00e7as a Deus, a repercuss\u00e3o entre os xavantes foi maravilhosa. Poucos, poucos mesmo, nos acusaram de explorar a dor alheia, ou de fazer sensacionalismo para autopromo\u00e7\u00e3o. A grande parte dos leitores reconheceu nosso esfor\u00e7o, e se envolveu com o livro passando relatos emocionantes dos momentos de leitura.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-full wp-image-3280\" src=\"http:\/\/aluzerna.com.br\/wp-content\/uploads\/22-01-2016d.jpg\" alt=\"22-01-2016d\" width=\"325\" height=\"245\" srcset=\"https:\/\/aluzerna.com.br\/wp-content\/uploads\/22-01-2016d.jpg 325w, https:\/\/aluzerna.com.br\/wp-content\/uploads\/22-01-2016d-300x226.jpg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 325px) 100vw, 325px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\"><strong><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-full wp-image-3445\" src=\"http:\/\/aluzerna.com.br\/wp-content\/uploads\/A_Luzerna_Falas.gif\" alt=\"A_Luzerna_Falas\" width=\"13\" height=\"13\" \/>\u00a0LDE<\/strong>\u00a0<em>Fale sobre a parceria com a Editora Livraria Mundial!<\/em><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\"><strong><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-full wp-image-3445\" src=\"http:\/\/aluzerna.com.br\/wp-content\/uploads\/A_Luzerna_Falas.gif\" alt=\"A_Luzerna_Falas\" width=\"13\" height=\"13\" \/>\u00a0EC<\/strong>\u00a0O Nauro, como capit\u00e3o e idealizador, foi o respons\u00e1vel pelo acerto com a Editora Livraria Mundial. Eles acolheram o projeto e nos deram todas as condi\u00e7\u00f5es de realiz\u00e1-lo. Nos ofereceram coisas que talvez n\u00e3o encontr\u00e1ssemos em outros lugares. Assumiram o risco de bancar um projeto de dois jornalistas sem experi\u00eancia em literatura, de bancar um projeto que envolvia uma na\u00e7\u00e3o muito apaixonada, e no fim deu tudo certo. Sou muito grato \u00e0 for\u00e7a da Editora Livraria Mundial, que nos deu autonomia total na escrita, na condu\u00e7\u00e3o do projeto, e na parte gr\u00e1fica.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\"><strong><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-full wp-image-3445\" src=\"http:\/\/aluzerna.com.br\/wp-content\/uploads\/A_Luzerna_Falas.gif\" alt=\"A_Luzerna_Falas\" width=\"13\" height=\"13\" \/>\u00a0LDE<\/strong>\u00a0<em>Tem algo que n\u00e3o foi comentado e que voc\u00ea queira acrescentar?<\/em><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\"><strong><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-full wp-image-3445\" src=\"http:\/\/aluzerna.com.br\/wp-content\/uploads\/A_Luzerna_Falas.gif\" alt=\"A_Luzerna_Falas\" width=\"13\" height=\"13\" \/>\u00a0EC<\/strong>\u00a0Tch\u00ea, sou meio bicho do mato para este tipo de manifesta\u00e7\u00e3o. S\u00f3 quero deixar claro que eu devo muito da minha condi\u00e7\u00e3o profissional \u00e0 na\u00e7\u00e3o xavante, e ao futebol do interior. Eu n\u00e3o seria hoje o setorista de Inter do clicEsportes, nem o analista t\u00e1tico do blog Prele\u00e7\u00e3o, se n\u00e3o fosse a paix\u00e3o dessas comunidades do futebol ga\u00facho. Sem o sucesso do Cidade Futebol e do Entrevero, eu n\u00e3o teria tanto prazer profissional como tenho hoje. Sou muito grato, e eterno devedor do futebol ga\u00facho &#8211; principalmente, do Brasil de Pelotas e de todos os xavantes.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: right;\"><span style=\"color: #000000;\"><span style=\"text-decoration: underline;\">Texto<\/span>: <em>Ricardo S.<\/em><\/span><br \/>\n<span style=\"color: #000000;\"><span style=\"text-decoration: underline;\"> Imagens<\/span>: <em>Divulg<\/em>a<em>\u00e7\u00e3o\/<\/em><em>Nauro J\u00fanior<\/em><\/span><br \/>\n<span style=\"color: #000000;\"><span style=\"text-decoration: underline;\"> Publicado em<\/span> 24.06.2010<\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u201c(\u2026) A curva tem uma mureta met\u00e1lica de prote\u00e7\u00e3o em sua margem externa. De dia, o guard rail mais parece o parapeito da janela onde se debru\u00e7a uma coxilha logo \u00e0 frente. \u00c0 direita da ondula\u00e7\u00e3o do relevo, h\u00e1 uma \u00e1rea cultivada com ac\u00e1cias para florestamento destinado \u00e0 ind\u00fastria de celulose. Recobre o morro a [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":3221,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[113],"tags":[],"class_list":["post-3275","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-lado-d"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/aluzerna.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/3275","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/aluzerna.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/aluzerna.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/aluzerna.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/aluzerna.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=3275"}],"version-history":[{"count":10,"href":"https:\/\/aluzerna.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/3275\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":3447,"href":"https:\/\/aluzerna.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/3275\/revisions\/3447"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/aluzerna.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/media\/3221"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/aluzerna.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=3275"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/aluzerna.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=3275"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/aluzerna.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=3275"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}