{"id":1764,"date":"2015-07-16T23:12:42","date_gmt":"2015-07-17T03:12:42","guid":{"rendered":"http:\/\/aluzerna.com.br\/?p=1764"},"modified":"2024-03-29T10:33:42","modified_gmt":"2024-03-29T13:33:42","slug":"1764","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/aluzerna.com.br\/?p=1764","title":{"rendered":"Ainda bem, muito loucos"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-full wp-image-3321\" src=\"http:\/\/aluzerna.com.br\/wp-content\/uploads\/16-07-2015f.jpg\" alt=\"16-07-2015f\" width=\"300\" height=\"437\" srcset=\"https:\/\/aluzerna.com.br\/wp-content\/uploads\/16-07-2015f.jpg 300w, https:\/\/aluzerna.com.br\/wp-content\/uploads\/16-07-2015f-206x300.jpg 206w\" sizes=\"auto, (max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\">Sabe o que pode acontecer ao mandar algu\u00e9m para o raio que o parta? O baixista Les mexe com telhados; a produtora e ex-affair do falecido guitarrista Brian, Karen, era hostess ou algo do g\u00eanero; Beano, o baterista, recluso no interior, no s\u00edtio da m\u00e3e, a cuidar de mudas de plantas; Ray, o vocalista, guardou uma grana, mas o castelo em que mora est\u00e1 hipotecado\u2026 Tony, o tecladista, \u00e9 representante de preservativos numa praia tur\u00edstica. Ou seja, se a praga pega, destr\u00f3i at\u00e9 banda de Rock!<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\">\u00c9 o ponto de partida do filme \u201cAinda muito loucos\u201d (Still Crazy, de 1998 \u2013 Columbia Home Video), que traz a hist\u00f3ria da banda inglesa fict\u00edcia, Strange Fruit, ali de meados dos anos 70, parece Whitesnake, recuerdos de Led Zeppelin, influ\u00eancia para The Black Crowes. Ali\u00e1s, h\u00e1 o prel\u00fadio com o show dos Fruit no Festival de Wisbech, em 1978, onde, agora sim, um raio cai durante a apresenta\u00e7\u00e3o, e como numa maldi\u00e7\u00e3o, rachas internos e grupo ficaram para tr\u00e1s, mesmo sem \u201cestourar\u201d mundialmente.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\">1998. Tony foi convencido a ser o cara para reunir a turma: 20 anos depois, a produ\u00e7\u00e3o do fat\u00eddico festival quer a segunda edi\u00e7\u00e3o, e j\u00e1 que dizem que a moda vem das Oropa, \u00e9 tudo do jeitinho que sabemos hoje. Anos de \u201c\u00c9 imposs\u00edvel a banda voltar, os problemas de relacionamento foram seri\u00edssimos, n\u00e3o quero nem ver a cara\u201d, s\u00f3 que se n\u00e3o \u201cestourou\u201d na arte, e sendo bons nisso, poder\u00e1 explodir \u00e9 a paci\u00eancia.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\">Da\u00ed o rumo \u00e9 o tra\u00e7ado pelos roteiristas Dick Clement e Ian La Frenais, que junto do diretor Brian Gibson, t\u00eam outras pel\u00edculas de enredos musicais. O tecladista encontra Karen, convence-a a buscar Les, Beano, e por \u00faltimo, como sempre, a dura tarefa de convencer o vocalista. Buscam um guitarrista novo, nem pensar em perder a reden\u00e7\u00e3o. O amigo roadie retorna tamb\u00e9m, depois de tour com Aerosmith e outros\u2026<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\">Assim, roda a fita (ou o disco) e o detalhamento dos comportamentos impressiona. Roteiristas e diretor realmente conheciam a mat\u00e9ria e devem ter cruzado com pessoas iguais aos Fruit, ouvido relatos de pr\u00f3ximos. A fidelidade ao estilo de vida no g\u00eanero, na fatia Hard Rock, \u00e9 total e torna \u201cAinda muito loucos\u201d um document\u00e1rio-fic\u00e7\u00e3o a provocar reflex\u00e3o sobre a ind\u00fastria do entretenimento e a rela\u00e7\u00e3o com um segmento musical.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\">Cada tipo foi interpretado (e muito bem!) e o processo de ascens\u00e3o exige mais que talento \u2013 que \u00e9 opcional, desnecess\u00e1rio que venha de f\u00e1brica. Idem para a queda e o retorno, ind\u00fastria pura, trapos juntados, ensaios, tour de \u201cver como vai ficar\u201d por pubs do lado de l\u00e1 do Canal da Mancha, t\u00edpicos dos anos 90 e suas mil e uma tribos, dificuldades para fazer parte de um neg\u00f3cio, questionamento da \u201cclasse\u201d \u00e0 meia-idade\u2026 Selos, m\u00eddia, \u201c\u00eddolos da nova gera\u00e7\u00e3o\u201d, lembraram de tudo e colocaram na tela.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\">Enquanto questiona, o espectador tem a possibilidade do acesso \u00e0 cartilha do Pop na atmosfera da \u00e9poca do Strange Fruit, quando o Pop, como sempre, n\u00e3o poupava ningu\u00e9m, mas deixava a qualidade muito mais em evid\u00eancia. Dificilmente desgrudar\u00e1 da tela, torcer\u00e1 involuntariamente para a banda se reencontrar, pegar o ritmo, embalada pela \u201ccan\u00e7\u00e3o-tema\u201d, no caso de Ray e companhia, \u201cThe flame still burn\u201d, uma das causas de brigas nos agitados anos 70. 1h30min com sensa\u00e7\u00e3o de um riff, mantenha-o longe de ex-punk ou ex-headbanger, agora pentecostal, reca\u00edda na certa e highway to hell. Drama, com\u00e9dia e aventura atrav\u00e9s dos maneirismos do Rock, os originais e estimulantes.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><span style=\"color: #000000;\">. . .<\/span><\/strong><\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/FADiGMfYuBI?rel=0\" width=\"445\" height=\"334\" frameborder=\"0\" allowfullscreen=\"allowfullscreen\"><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: right;\"><span style=\"color: #000000;\"><span style=\"text-decoration: underline;\">por<\/span> <em>Ricardo S.<\/em><\/span><br \/>\n<span style=\"color: #000000;\"><span style=\"text-decoration: underline;\"> Imagens<\/span>: <em>Reprodu\u00e7\u00e3o\/www<\/em><\/span><br \/>\n<span style=\"color: #000000;\"> (<em>Publicado originalmente em 2008<\/em>)<\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Sabe o que pode acontecer ao mandar algu\u00e9m para o raio que o parta? 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