{"id":7154,"date":"2016-06-11T17:22:24","date_gmt":"2016-06-11T21:22:24","guid":{"rendered":"http:\/\/aluzerna.com.br\/?p=7154"},"modified":"2016-06-11T19:07:31","modified_gmt":"2016-06-11T23:07:31","slug":"ultrajes-e-bandeiras","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/aluzerna.com.br\/?p=7154","title":{"rendered":"ultrajes e bandeiras"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-full wp-image-7156\" src=\"http:\/\/aluzerna.com.br\/wp-content\/uploads\/11-06-2016c.jpg\" alt=\"11-06-2016c\" width=\"300\" height=\"158\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\">E de quando em quando, uma nova como\u00e7\u00e3o local ou nacional impregna os canais de comunica\u00e7\u00e3o. N\u00e3o, nada sobre a morte do Cidad\u00e3o Kane tupiniquim, crian\u00e7as trabalhando como escravas nas lixeiras e carvoarias, juiz assassinado; a Bandeira Nacional, de novo, foi a bola da vez&#8230;<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\">Os S\u00edmbolos Nacionais &#8211;\u00a0Selo, Armas e Bandeira nacionais, no caso do Brasil -, s\u00e3o figuras presentes na concep\u00e7\u00e3o da maioria dos pa\u00edses, estendendo-se em formatos presentes em partidos pol\u00edticos, grupos folcl\u00f3ricos, na\u00e7\u00f5es ind\u00edgenas, movimentos sociais, clubes de futebol&#8230; Cada agremia\u00e7\u00e3o tem o seu estandarte, ao qual devota a sua f\u00e9 quando o sentimento \u00e9 original, ou o seu sarcasmo, ao servir-se dela para infestar mentes e empunhar falsas preocupa\u00e7\u00f5es. Atentemo-nos a este, o estandarte.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\">Quanto mais organizada a institui\u00e7\u00e3o, maior o magnetismo proporcionado por este ret\u00e2ngulo de cores e paradigmas espec\u00edficos, exemplo, a dimens\u00e3o imperialista que os pavilh\u00f5es do Reino Unido e dos EUA conquistaram. Dif\u00edcil negar que nunca tivemos uma cal\u00e7a, uma camiseta ou um livro que tenha estampadas a Stars and Stripes ianque, a Union Jack anglo-sax\u00f4nica&#8230; E a de Cuba, para defensores de suas teses revolucion\u00e1rias? E a negra com o \u201cA\u201d anarquista? O arco-\u00edris dos homossexuais? Com Su\u00e1stica nazista&#8230;<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\">Para o Poder, eles ganham ares de fomento e caracteres s\u00f3cio-pol\u00edticos de acordo com o cen\u00e1rio do momento! H\u00e1 dias uma nova contenda &#8216;comoveu&#8217; a sociedade: punks \u201cqueimaram a bandeira nacional na capital ga\u00facha\u201d! Curiosamente em \u00e9poca de reformas e assaltos aos direitos do trabalhador e do pretenso cidad\u00e3o brasileiro, emerge a not\u00edcia como v\u00e1lvula de escape \u00e0s bravatas (palavra que o governo usa frequentemente) madrugais no Congresso, provando que \u00e0 noite todos os gatos s\u00e3o pardos. Caladas das noites de agosto. Pol\u00edcia nas depend\u00eancias do Legislativo e l\u00e1grimas e beicinho tr\u00eamulo do beb\u00ea chor\u00e3o e fantoche Presidente da C\u00e2mara, &#8216;esquerdistas&#8217; que dan\u00e7avam Ax\u00e9-Music antes de quebrarem os vidros opacos pelos lobbies da minoria abastada que comanda os interesses daquela Casa. Em Porto Alegre, civis indignados com os punks que faziam arder a Verde e Amarela em pleno doming\u00e3o, claro, antes de come\u00e7arem os programas das tardes educativas dominicais na TV aberta brasileira.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\">Na segunda-feira, a indigna\u00e7\u00e3o chegava aos olhos e ouvidos de quem estava desinformado do imbr\u00f3glio patri\u00f3tico. Apresentadores de telejornais devidamente customizados e pregando discursos pseudo-nacionalistas, fajutos, aprendidos em Educa\u00e7\u00e3o Moral e C\u00edvica, presente dos anos de chumbo. Todos ficaram cegos perante o que continha o estandarte a ser carbonizado pelos anarquistas: a Su\u00e1stica! Para quem n\u00e3o lembra, na semana que antecedera a esta manifesta\u00e7\u00e3o, a imprensa alardeou o espancamento de um prov\u00e1vel\u00a0jovem punk por nazistas da Am\u00e9rica do Sul (pode?)&#8230; Como\u00e7\u00e3o da massa? Que nada, coisa de \u201cvagabundos, rockeiros e drogados\u201d, grita a maioria doutrinada pelos telejornais. Nenhuma provid\u00eancia indicada pela mesma imprensa no caso de poss\u00edvel resultado \u00e0 ca\u00e7a dos brancos bem nascidos das academias de gin\u00e1sticas, birrentos e de barriga cheia. Queria ver movimento nazi-fascista no Vale do Jequitinhonha, no sert\u00e3o \u00e1rido nordestino, ou debaixo das pontes e favelas das cidades em que eles atuam.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\">De provid\u00eancias falaciosas, esses infort\u00fanios friamente calculados j\u00e1 t\u00eam antecedentes, cada um mais dissimulado que outro. In\u00edcio dos anos 90, o Brasil collorido e do fusquinha topetudo do Itamar, da corrup\u00e7\u00e3o descarada, motivaram a indigna\u00e7\u00e3o do Max Cavalera, \u00e0 \u00e9poca no Sepultura. Ele e a bandeira nacional travaram um &#8216;duelo&#8217; que parou na delegacia, local do t\u00e9rmino do show naquela noite. S\u00f3 que a batalha entre os dois vinha da necessidade de liberar a insatisfa\u00e7\u00e3o pol\u00edtica, at\u00e9 porque o quarteto mineiro sempre exp\u00f4s o pavilh\u00e3o da Terra Brasilis como motivo de identifica\u00e7\u00e3o no que usavam como roupas, m\u00fasicas, instrumentos e letras.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\">O argumento de que seja resguardada pela Constitui\u00e7\u00e3o Federal, inclusive atribuindo atos criminosos a quaisquer agress\u00f5es, n\u00e3o isentam estes alarmes da dupla inten\u00e7\u00e3o, apta a encobrir a realidade e os genu\u00ednos culpados-agressores. Particularmente, n\u00e3o queimaria ou pisaria a bandeira, inclusive por ter um leque expressivo do g\u00eanero representando partidos pol\u00edticos, pa\u00edses algozes do nosso dia-a-dia e reais causadores da depend\u00eancia em que se encontra o Brasil. O pavilh\u00e3o \u00e9 ref\u00e9m de fac\u00ednoras do cotidiano, a come\u00e7ar pela express\u00e3o \u201cOrdem e Progresso\u201d. \u00c9 c\u00f4modo assegurar a culpa aos moicanos \u201canti-sociais\u201d em detrimento de um mea culpa direcionado ao clientelismo, ao jeitinho brasileiro, aos mentirosos, aos famintos das grandes urbes e sert\u00f5es, \u00e0 car\u00eancia de seguran\u00e7a, educa\u00e7\u00e3o e sa\u00fade, do irm\u00e3o que trai irm\u00e3o, das terras concentradas nas m\u00e3os de poucos. Tudo isso existe, inclusive governamental, n\u00e3o apenas\u00a0fruto de movimentos esparsos e \u201cguetos\u201d.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-full wp-image-7157\" src=\"http:\/\/aluzerna.com.br\/wp-content\/uploads\/11-06-2016d.jpg\" alt=\"11-06-2016d\" width=\"424\" height=\"109\" srcset=\"http:\/\/aluzerna.com.br\/wp-content\/uploads\/11-06-2016d.jpg 424w, http:\/\/aluzerna.com.br\/wp-content\/uploads\/11-06-2016d-300x77.jpg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 424px) 100vw, 424px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\">Discutir e tornar manchetes tais dissimula\u00e7\u00f5es autorais faz parte do interesse mercadol\u00f3gico dos peri\u00f3dicos, que carecem da satisfa\u00e7\u00e3o dos patrocinadores, ou claro, dos Tr\u00eas Poderes querendo exibir servi\u00e7o \u00e0 popula\u00e7\u00e3o. Resultado: vistas que deixam de ser grossas no momento conveniente, fazendo esquecer da infla\u00e7\u00e3o, das composi\u00e7\u00f5es inter-partid\u00e1rias, dos aposentados e dos viciados pelo Poder. Pagam os exclu\u00eddos, seja sobre as vestes espetadas punks, os sem vestes da ponte ou marquise pr\u00f3xima, os manifestantes da esquerda embalada pelo Ax\u00e9 e quebrando vidros no Planalto, os Sem Terra, os Sem Teto, o m\u00ednimo sinal de barulho que venha acordar do sono eterno o Gigante Adormecido &#8211;\u00a0o Pa\u00eds que pensa que vai pra frente!<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\">Tenho uma em casa. Pequena, todavia engrandecida pelo respeito que tenho \u00e0 maioria que ela representa. Nela inexistem outros s\u00edmbolos desenhados (implicitamente sim, \u00f3bvio!). Encontra-se nua e crua como a carne e a realidade. Quando a obtive, nada de Copa do Mundo, visita do Papa, Olimp\u00edadas\/Pan-Americano, 7 de setembro ou elei\u00e7\u00f5es. Pelo respeito \u00e0s Alices no Pa\u00eds do Fome Zero, do vale-g\u00e1s, vale-leite, vale-tudo, do Crian\u00e7a Esperan\u00e7a e medalha de ouro na concentra\u00e7\u00e3o de renda. N\u00e3o \u00e9 a \u00fanica, somente uma identidade que a nada se sobrep\u00f5e, sen\u00e3o como bandeira-par\u00e2metro ou qualquer outra na\u00e7\u00e3o que sofra e tenha direitos outorgados junto \u00e0 Lei do Mais Forte. Lei do C\u00e3o. Lei do Banco Central ou a cartilha que soletra na li\u00e7\u00e3o do (sub)desenvolvimento. Para estes, inexistem s\u00edmbolos nacionais, e sim a alma do povo transformada em a\u00e7\u00f5es na Bolsa de Valores e no peleguismo &#8211; amarelo da Vergonha, verde da Fome, branco dos colarinhos corruptos, sob um c\u00e9u azul-polu\u00eddo, longe de ser de brigadeiro.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #ff6600;\">\u25cf<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\">\u201c<em>Quem segura o porta-estandarte, tem a Arte, tem a Arte.<\/em>\u201d<\/span><br \/>\n<span style=\"color: #000000;\"> (trecho de &#8216;Maracatu At\u00f4mico&#8217;\u00a0&#8211;\u00a0Nelson Jacobina e Jorge Mautner)<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: right;\"><span style=\"color: #000000;\"><span style=\"text-decoration: underline;\">Texto<\/span> + <span style=\"text-decoration: underline;\">Imagens<\/span>: <em>Ricardo S.<\/em><br \/>\n(<em>Publicado originalmente em 2003<\/em>)<\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>E de quando em quando, uma nova como\u00e7\u00e3o local ou nacional impregna os canais de comunica\u00e7\u00e3o. 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