{"id":2379,"date":"2015-09-27T10:29:43","date_gmt":"2015-09-27T14:29:43","guid":{"rendered":"http:\/\/aluzerna.com.br\/?p=2379"},"modified":"2016-01-28T00:20:24","modified_gmt":"2016-01-28T04:20:24","slug":"2379","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/aluzerna.com.br\/?p=2379","title":{"rendered":"Di\u00e1rios de Motocicleta, Inc."},"content":{"rendered":"<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone wp-image-3438 size-full\" src=\"http:\/\/aluzerna.com.br\/wp-content\/uploads\/27-09-2015c.jpg\" alt=\"\" width=\"595\" height=\"437\" srcset=\"http:\/\/aluzerna.com.br\/wp-content\/uploads\/27-09-2015c.jpg 595w, http:\/\/aluzerna.com.br\/wp-content\/uploads\/27-09-2015c-300x220.jpg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 595px) 100vw, 595px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\">\u201cDe Moto pela Am\u00e9rica do Sul\u201d, de autoria do jovem Ernesto Guevara de la Serna, traduz a aventura deste juntamente com o amigo Alberto Granado e La Poderosa II, em dire\u00e7\u00e3o \u00e0s veias abertas da Am\u00e9rica Latina. Esse di\u00e1rio escrito foi filmado e responde pelo nome de \u201cDi\u00e1rios de Motocicleta\u201d, contudo n\u00e3o escaparam os protagonistas reais de serem ruminados, jamais engolidos, por parte da casta in do mundo da S\u00e9tima Arte e do establishment.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\">Para ser mais preciso, visitava um dos mega-portais de \u201cinforma\u00e7\u00e3o\u201d da internet brasileira, no qual constava que o Festival de Sundance era o primeiro a ter acesso \u00e0 recente pel\u00edcula latina. Uma ova\u00e7\u00e3o, tantos minutos de aplauso com o p\u00fablico de p\u00e9 a aclamar o futuro lan\u00e7amento mundial. Gestos ornamentais de calorosa recep\u00e7\u00e3o, chacoalhar de j\u00f3ias e espocar de flashs direcionados a famosos. Arrisquei-me em algumas quest\u00f5es que passariam pelas cabe\u00e7as desse grupelho intelectual e a sua mania de Midas: a ilumina\u00e7\u00e3o, o figurino, a atua\u00e7\u00e3o do sempre brilhante Gael Garc\u00eda Bernal, se ganhar\u00e1 o Urso de Berlin e\/ou o Oscar, enfim, midiocracia a cozer\u00a0maneirismos e achismos. Quem sabe o Oscar dos efeitos especiais? Ou vencer um festival patrocinado por marca de cigarros e telef\u00f4nicas multinacionais, com direito a destaque no notici\u00e1rio da CNN? Por que ignorar\u00a0o sentimento espont\u00e2neo e de mergulho \u00e0s ra\u00edzes que impregnou essa viagem, l\u00e1 nos anos 50?<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\">Comprova-se o esperado pelos dois\u00a0anos de feitio do longa-metragem do Walter Salles, considerando sua opini\u00e3o num outro dia: \u201cQuero fazer um cinema humanista, e humanismo e fraternidade n\u00e3o t\u00eam cota\u00e7\u00e3o na bolsa\u201d. J\u00e1 ilustram essas \u201c\u00faltimas not\u00edcias\u201d as imagens em Macchu Picchu e na col\u00f4nia de leprosos na Amaz\u00f4nia peruana, nos exatos locais visitados pela dupla original, entretanto, tamb\u00e9m as especula\u00e7\u00f5es da vanguarda cinematogr\u00e1fica neoliberal. Travam verdadeira luta pela subsist\u00eancia do status e pelo oxal\u00e1 \u201cbom retorno financeiro\u201d da pel\u00edcula, para eles, mero produto. Mat\u00e9rias come\u00e7am a surgir, o estilista famoso talvez lan\u00e7ar\u00e1 uma cole\u00e7\u00e3o com o Che Guevara, ou impress\u00f5es incas, para aproveitar o produto e criar uma modinha para o mercado. O c\u00famulo, parte II: n\u00e3o permitiram visto de entrada ao Alberto Granado, 83 anos. E s\u00f3! Dos dois protagonistas, um est\u00e1 vivo e \u00e9 proibida a entrada na sua \u201cpr\u00f3pria festa\u201d?!?!?!<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\">Repete-se o gesto brucutu, aquele antigo (e atuante!) h\u00e1bito do governo ianque em suas investidas diplom\u00e1ticas perante a concess\u00e3o de vistos aos protagonistas reais, sim, os mesmos dos roteiros premiados ou premi\u00e1veis em circula\u00e7\u00e3o nos festivais e mostras em territ\u00f3rio sob a bandeira do Tio Sam. Bem poder\u00edamos estar indiferentes a essa pr\u00e9-estr\u00e9ia, s\u00f3 que o fato de desprezar a alma da hist\u00f3ria e mencionar a indigest\u00e3o diplom\u00e1tica como um simples visto negado seria no m\u00ednimo c\u00ednico. Esquecem do (Fernando) Gabeira, proibido de se fazer presente l\u00e1 em solo norte-americano \u00e0 \u00e9poca do \u201cO que \u00e9 isso, companheiro\u201d? Como o conivente Sundance, do Robert Redford, pode ser chamado de independente? Que l\u00e1stima\u00a0a intelligentsia quanto ao sentido dessa ficta independ\u00eancia\u2026 Interessa o termo independ\u00eancia no aspecto de captar recursos financeiros atrav\u00e9s de m\u00e9todo diferenciado, talvez, e como se n\u00e3o bastasse, escolha de temas com caracter\u00edsticas diferentes dos previs\u00edveis hollywoodianos. \u00c9, Mr. Warren Beatty, isso lembra as artimanhas parecidas com as do Bonnie and Clyde\u2026<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\">Nada n\u00e3o, Doutor Granado. Deixe que glorifiquem o produto na sua (im)pura mercadologia. A satisfa\u00e7\u00e3o do haver vivido a tal aventura sul-americana jamais poder\u00e1 ser trocada por um contrato de exibi\u00e7\u00e3o do making of na tv a cabo, ou pela edi\u00e7\u00e3o especial de 10 anos do lan\u00e7amento comemorativo de um dvd com a vers\u00e3o do diretor + 15 minutos in\u00e9ditos. Melhor n\u00e3o ter ido. O filme ser\u00e1 inevitavelmente especial, mas no ano da reelei\u00e7\u00e3o monopartid\u00e1ria ianque, prefira o descanso na Ilha. Na terra do Sundance n\u00e3o h\u00e1 \u201cdan\u00e7a do Sol\u201d, \u00e9 o que esclarece o cinza-escuro das suas nuvens, aquelas que teimam encobrir o resto do planeta com a sanha explorat\u00f3ria. \u00c9 nublado e previs\u00edvel, ao contr\u00e1rio das rom\u00e2nticas panes mec\u00e2nicas de La Poderosa II, suas rotas e noites ao relento andino, ali quando o mundo come\u00e7ava a estar dentro das suas mochilas.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\">Revistas e jornais estrangeiros anunciam que n\u00e3o s\u00e3o indispens\u00e1veis posters do Che nos quartos, para gostar do \u201cDi\u00e1rios\u201d. J\u00e1 est\u00e3o disputando os direitos de exibi\u00e7\u00e3o. Falam tamb\u00e9m que inclina\u00e7\u00f5es pol\u00edticas s\u00e3o igualmente descart\u00e1veis ante as quest\u00f5es humanas expostas quer no livro, quer no filme. Ent\u00e3o para que servem as quest\u00f5es humanas? Adorno e desculpa para sess\u00f5es fechadas a burocratas e agenciadores? O que falar de uma sess\u00e3o especial para o ex-vice presidente dos EUA, Al Gore? Micos e ossos do of\u00edcio, apenas.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\">O filme n\u00e3o saltou ainda aos olhos dos \u201cpobres mortais\u201d, embora existam dados suficientes para escrever certo nas linhas tortas desta dissimula\u00e7\u00e3o. \u00c9 nula qualquer tentativa de apropria\u00e7\u00e3o dos ideais, da busca pelo conhecimento humano e pela liberdade. Uma hist\u00f3ria grandiosa, independente de elenco e dire\u00e7\u00e3o, duela contra a\u00a0investida s\u00f3rdida das m\u00e3os engorduradas do capital no mundo das telas gigantes. Ou como preferir\u00edamos, ao mundo das virtudes; esse o capitalismo jamais conquistar\u00e1!<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #ff6600;\">\u263c<\/span><\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/z82avke1Z_E?rel=0\" width=\"455\" height=\"341\" frameborder=\"0\" allowfullscreen=\"allowfullscreen\"><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: right;\"><span style=\"color: #000000;\"><span style=\"text-decoration: underline;\">por<\/span> <em>Ricardo S.<\/em><\/span><br \/>\n<span style=\"color: #000000;\"><span style=\"text-decoration: underline;\"> Imagens<\/span>: <em>Reprodu\u00e7\u00e3o\/www<\/em><\/span><br \/>\n<span style=\"color: #000000;\"> (<em>Publicado originalmente em 2004<\/em>)<\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u201cDe Moto pela Am\u00e9rica do Sul\u201d, de autoria do jovem Ernesto Guevara de la Serna, traduz a aventura deste juntamente com o amigo Alberto Granado e La Poderosa II, em dire\u00e7\u00e3o \u00e0s veias abertas da Am\u00e9rica Latina. 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